A semaglutida, substância presente em medicamentos como o Ozempic, é um princípio conhecido por ajudar a regular o açúcar no sangue em pessoas com diabetes tipo 2. Além disso, ganhou enorme popularidade pelo seu uso off-label (fora da bula) para perda de peso. Recentemente, a agência reguladora dos EUA, a FDA, atualizou a bula do medicamento. A mudança inclui um novo aviso sobre um efeito colateral raro, mas grave. O novo aviso refere-se a semaglutida causando um alerta em relação a possível obstrução intestinal, uma condição conhecida como íleo paralítico.
Muitos usuários da semaglutida (Ozempic) já estão familiarizados com os efeitos colaterais gastrointestinais comuns, como diarreia, náusea e dor de estômago. Contudo, esta nova reação adversa é potencialmente mais séria.
O que é o íleo paralítico?
O íleo paralítico, ou obstrução intestinal, ocorre quando os intestinos perdem a capacidade de contrair adequadamente. Isso impede que os resíduos se movam pelo corpo. De acordo com os relatos, ocorreram cerca de 20 casos de íleo paralítico após o uso da semaglutida , incluindo dois óbitos, que levaram à atualização da bula.
Embora o íleo seja frequentemente resultado de cirurgias abdominais, inflamações ou lesões também podem causá-lo. Além disso, certos medicamentos estão ligados à condição. Os principais sintomas de um bloqueio intestinal incluem inchaço, cólicas abdominais, constipação severa, náuseas e vômitos. Apesar de adicionar o aviso, a FDA ainda não citou uma ligação direta e causal entre a semaglutida e o íleo.
Outros medicamentos GLP-1 têm o mesmo risco?
Este tipo de alerta não é exclusivo do Ozempic. Avisos sobre obstrução intestinal já constam nas bulas de outros medicamentos populares para o diabetes e perda de peso. O Wegovy, que é a mesma substância (semaglutida) aprovada especificamente para perda de peso, já possui o aviso.
Da mesma forma, o Mounjaro (tirzepatida), um medicamento GIP e GLP-1 aprovado para o diabetes tipo 2, também inclui essa precaução. O Mounjaro, aliás, está buscando aprovação da FDA para gerenciamento de peso devido aos seus notáveis efeitos na perda de peso, embora ainda não tenha recebido essa aprovação específica.
Existem outras preocupações gastrointestinais?
Além do alerta sobre obstrução intestinal, também surgiram relatos de paralisia estomacal, uma condição chamada gastroparesia (esvaziamento gástrico retardado). Essas alegações, no entanto, ainda não foram comprovadas cientificamente.
É importante notar que os agonistas do GLP-1, como a semaglutida, funcionam em parte retardando a velocidade com que o estômago se esvazia. Isso ajuda na saciedade e no controle da glicose. Embora a ligação direta com a gastroparesia não esteja estabelecida, esses medicamentos geralmente não são recomendados para pessoas que já vivem com essa condição estomacal específica.
Se você está tomando um agonista do GLP-1 e apresenta sintomas como constipação que não melhora após alguns dias, ou qualquer outro sintoma gastrointestinal grave, é fundamental consultar seu médico. O novo aviso sobre a semaglutida e o alerta de possível obstrução intestinal reforça a importância de usar o medicamento sob estrita supervisão médica.
