A semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, ganhou enorme popularidade. Contudo, a alta procura e o custo elevado levaram muitas pessoas a buscar versões manipuladas como alternativa. Recentemente, a FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, emitiu um sério alerta, destacando os perigos da semaglutida manipulada para a saúde pública.
Em seu comunicado oficial, a agência alerta que muitas empresas que oferecem essas versões fazem alegações falsas, sugerindo que seus produtos são aprovados e tão seguros quanto os originais. Por isso, é fundamental entender a razão dessa alternativa representar um risco significativo, especialmente para quem vive com o diabetes e busca um tratamento seguro e eficaz.
O que exatamente é a semaglutida manipulada?
Farmácias específicas preparam medicamentos manipulados para ajustar doses ou formulações às necessidades de um indivíduo. Quando um medicamento de marca entra na lista de escassez da FDA, as farmácias de manipulação podem, sob certas condições, preparar uma versão similar.
Entretanto, essa permissão não significa aprovação. A FDA não revisa esses medicamentos manipulados para garantir sua segurança, eficácia ou qualidade antes que as farmácias os vendam. Assim, os usuários ficam sem a certeza de que o produto que estão utilizando é seguro ou que terá o efeito esperado para o controle da glicemia e do peso.
Overdose: um risco real e subestimado
Um dos mais graves perigos da semaglutida manipulada que a FDA aponta é o risco de erros de dosagem. A agência registrou casos em que pacientes administraram doses de 5 a 20 vezes maiores do que o recomendado.
Isso acontece, em grande parte, porque muitas pessoas não têm familiaridade com a retirada do líquido de um frasco e o uso de seringas. A confusão entre diferentes unidades de medida (mililitros, miligramas e unidades) contribui para esses erros graves. Portanto, a falta de um dispositivo aplicador padronizado, como os aplicadores dos medicamentos de marca, aumenta exponencialmente o risco de uma superdosagem acidental.
Ingredientes duvidosos e a falta de segurança
Além dos erros de dosagem, a composição desses produtos é uma grande preocupação. A FDA identificou farmácias que utilizam formas diferentes do princípio ativo, como sais de semaglutida (semaglutida sódica e acetato de semaglutida), que os fabricantes dos medicamentos aprovados não usam.
A agência foi categórica em seu comunicado: “Produtos contendo esses sais, como semaglutida sódica e acetato de semaglutida, não foram demonstrados como seguros e eficazes“. Isso significa que as pessoas podem estar injetando substâncias que não passaram por testes clínicos rigorosos, desconhecendo seus reais efeitos no organismo e reforçando os perigos da semaglutida manipulada.
E no Brasil? A posição é a mesma
A preocupação não é apenas internacional. No Brasil, as principais autoridades de saúde também se posicionaram firmemente contra essa prática. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou um alerta oficial esclarecendo que a manipulação de semaglutida é irregular no país, pois não existem dados que comprovem sua segurança e eficácia. Da mesma forma, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), junto com a ABESO, divulgou uma nota de alerta conjunta, reforçando que a prática é perigosa e desaconselhada pela comunidade médica, principalmente pelo risco do uso de ingredientes sem comprovação científica.
Já empresa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, emitiu um comunicado (veja aqui) com orientações para se proteger de casos de falsificação, na hora da compra.
Diante desses fatos, a recomendação é clara: converse sempre com seu médico antes de considerar qualquer tratamento alternativo. A segurança do seu tratamento para o diabetes deve ser sempre a prioridade máxima.
