A busca por soluções naturais para o controle da glicemia é uma realidade constante na vida de quem convive com o diabetes. Nesse cenário, a promessa de “chás para tratar o diabetes” ganha força, mas será que ela é real? Para esclarecer essa dúvida comum, o jornalista Tom Bueno, em nosso canal Um Diabético no Youtube, investigou o assunto em um vídeo e trouxe a visão de especialistas. Portanto, é fundamental entender o papel que os chás para tratar o diabetes realmente desempenham.
A verdade é que muitas pessoas, ao receberem o diagnóstico, ouvem de familiares e amigos sobre receitas caseiras e infusões que prometem curar a condição. Contudo, a informação de qualidade é o melhor remédio. Primeiramente, é preciso saber que os conselhos federais de medicina e nutrição reconhecem os chás como uma terapia complementar, a chamada fitoterapia. Vamos entender o que isso significa na prática.
A fitoterapia e a visão da especialista
Para aprofundar o tema, Tom Bueno conversou com Silvia Ramos, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). De acordo com a especialista, embora as pessoas possam consumir chás, eles exigem um cuidado muito particular. A razão para isso é que os especialistas consideram as plantas medicinais como “drogas vegetais”.
“Assim como o medicamento que a gente toma da indústria, a planta também pode causar efeitos adverseros ou efeitos colaterais“, explica Silvia. Isso significa que, por mais natural que pareça, o consumo indiscriminado de certos chás pode ser prejudicial. Por exemplo, os profissionais não indicam algumas ervas para pessoas que tenham problemas renais ou hepáticos. Portanto, a ideia de que “se é natural, não faz mal” se revela um mito perigoso que precisamos desconstruir. A orientação profissional se torna, assim, indispensável.
O que dizem os estudos sobre os chás?
Existem, de fato, alguns estudos que analisam a relação entre certas plantas e o controle glicêmico. Silvia Ramos menciona que a canela, por exemplo, demonstrou em algumas pesquisas a capacidade de reduzir a glicose no sangue entre 8 e 12 mg/dL. Embora pareça um resultado positivo, a nutricionista alerta para um ponto crucial: “os pesquisadores realizam esses estudos de uma forma muito precária“.
A dificuldade, segundo ela, está em realizar pesquisas controladas e robustas com alimentos e chás envolvendo seres humanos. Chás populares como pata de vaca, folha de maracujá e até a chamada “planta insulina” entram nessa mesma categoria de evidências científicas limitadas. Além disso, a falta de padronização é um grande obstáculo. Qual parte da planta usar? A folha, o caule, a flor? Qual a concentração ideal? Apenas um especialista em fitoterapia pode responder a essas perguntas com segurança.
A orientação profissional é o caminho seguro
A conclusão de toda essa apuração é clara e direta: não, não existe um “chá matador do diabetes”. A mensagem mais importante, que tanto Tom Bueno quanto a especialista reforçam, é que um chá jamais deve substituir a medicação prescrita pelo seu médico. O tratamento do diabetes envolve uma abordagem multifatorial que inclui medicação, alimentação equilibrada, atividade física e monitoramento constante.
Se você tem interesse em utilizar chás para tratar o diabetes como uma ferramenta complementar, o caminho correto é buscar um profissional de saúde com especialização em fitoterapia. Ele saberá indicar as melhores opções para o seu caso, a forma correta de preparo e as doses seguras, sempre em conjunto com o seu tratamento convencional. Lembre-se que promessas milagrosas na internet podem esconder interesses comerciais e colocar sua saúde em risco.
