Um momento de grande repercussão na teledramaturgia brasileira celebrou a visibilidade de quem convive com o diabetes. Uma cena recente da novela “Vale Tudo”, da Rede Globo, mostrou a personagem Solange Duprat, que tem diabetes tipo 1 e está grávida, aplicando pela primeira vez um sensor de glicose. Assim, a união entre a personagem Solange Duprat e o sensor de glicose se tornou um marco de representatividade, como destacou a nossa jornalista Laura Lany em um vídeo para as nossas redes sociais.
A importância da representatividade na tela
A discussão sobre o diabetes de Solange já existia entre os telespectadores, mas a cena em que ela aplica o sensor, o FreeStyle Libre, levou o debate para outro nível. De repente, milhões de pessoas puderam ver, em horário nobre, uma tecnologia que transformou o cuidado com o diabetes para muitos. Para quem tem a condição, ver isso retratado de forma tão natural é uma conquista enorme. Além disso, para o público que não conhecia o dispositivo, foi uma oportunidade educativa de entender como a tecnologia pode facilitar a rotina de monitoramento da glicose.
A repercussão foi imediata. “Muita gente assistiu a novela só pra ver esse momento — e quem não viu, acabou vendo depois nas redes”, comentou a jornalista Laura Lany. Isso demonstra o poder de uma grande produção em normalizar e informar sobre uma condição que afeta milhões de brasileiros.
Adeus às pontas de dedo: a revolução do sensor
O momento mais simbólico da cena talvez seja a fala de Solange logo após aplicar o dispositivo: “Agora eu não preciso mais furar os dedinhos.” Essa frase simples resume uma das maiores vantagens da tecnologia. Antes dos sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM) ou de monitoramento flash (FGM), como o que a personagem usa, a única forma de medir a glicose era através da glicemia capilar. Esse método envolve furar a ponta do dedo com uma lanceta, colher uma gota de sangue e inseri-la em uma fita reagente acoplada a um glicosímetro.
Embora essencial, esse processo oferece apenas uma medição pontual, como uma fotografia daquele exato momento. Em contrapartida, o sensor mede a glicose continuamente no líquido intersticial, fornecendo um panorama completo, com setas de tendência que indicam se a glicose está subindo, descendo ou estável. Portanto, a chegada do sensor representa não apenas o fim das múltiplas e dolorosas picadas diárias nos dedos, mas também um controle muito mais preciso e seguro da condição, permitindo que a pessoa tome decisões mais informadas. O caso da personagem Solange Duprat e o sensor de glicose ilustra perfeitamente essa transição.
Uma rede de apoio faz toda a diferença
Outro ponto de destaque na cena foi a presença do amigo Sardinha, que a ajudou durante a aplicação. Ele ofereceu apoio e tranquilidade, mostrando a importância de ter uma rede de apoio sólida. Conviver com uma condição crônica pode ser desafiador, e ter amigos e familiares que entendem e auxiliam no processo é fundamental. “E o mais bonito foi quem estava ao lado dela: o Sardinha, o amigo de todas as horas. Ele foi quem ajudou nesse momento tão importante. E isso mostra como ter uma rede de apoio faz toda a diferença”, ressaltou Laura Lany.
A naturalidade com que Solange lidou com o processo também é digna de nota. Ela montou o aplicador e posicionou o sensor no braço sem drama, o que ajuda a desmistificar o uso da tecnologia. Posteriormente, em outra cena no hospital, o sensor estava lá, visível em seu braço, integrado à sua vida. Este detalhe reforça que o diabetes é parte da história dela, mas não a define, assim como na vida real. A abordagem da novela com a personagem Solange Duprat e o sensor de glicose serve como um excelente exemplo de como incluir temas de saúde de forma responsável e educativa.
