Aprovada com grande apoio em setembro de 2023, a Lei 130 foi celebrada como um marco na saúde preventiva. A legislação criou um programa nacional. Seu objetivo é o rastreio de diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes, além da condição celíaca. Contudo, mais de dois anos se passaram. Agora, essa iniciativa revolucionária corre o risco de se tornar uma oportunidade perdida. O projeto está preso em um labirinto burocrático. Assim, a comunidade de pessoas que vivem com a condição aguarda ansiosamente por uma solução.
O sucesso do projeto piloto e o alarme atual
O alarme sobre a paralisação do projeto soou recentemente. Quem o acendeu foi Giorgio Mulè, vice-presidente da Câmara dos Deputados italiana e principal proponente da lei. Durante um fórum de negócios, ele foi claro: “O projeto piloto funcionou. Agora é tempo de passar para a fase nacional“. De fato, a fase experimental trouxe resultados impressionantes. Ela identificou centenas de casos não diagnosticados. Além disso, revelou predisposições genéticas em diversas regiões, provando o valor do diagnóstico precoce.
Assim, os dados do projeto piloto também reforçam que a triagem antecipada melhora os resultados clínicos. Consequentemente, ela reduz os custos a longo prazo para o sistema de saúde. Isso acontece pela diminuição de complicações graves ligadas a um diagnóstico tardio. As verbas para a implementação nacional já existem. No entanto, segundo Mulè, há meses se observa um jogo de empurra. Os envolvidos são o órgão de Proteção de Dados, a Conferência Estado-Regiões e o Ministério da Saúde.
O impasse burocrático em torno da privacidade
No entanto, a questão central do atraso parece ser a proteção de dados pessoais. A Autoridade de Proteção de Dados respondeu às críticas. Ela afirmou ter dado sinal verde ao decreto de implementação em 30 de janeiro de 2025. Segundo o órgão, a aprovação foi “muito rápida e sem quaisquer condições“. Contudo, fontes ministeriais pintam um quadro mais complexo. Aparentemente, as Regiões italianas propuseram modificações no esquema inicial. Isso levou o órgão de privacidade a solicitar novos esclarecimentos no final de julho.
Essas alterações impactam diretamente o tratamento dos dados sensíveis coletados durante o rastreio de diabetes tipo 1 em crianças. Portanto, em outras palavras, o parecer favorável de janeiro pode não ser mais válido. Dessa forma, um processo que deveria ser ágil transformou-se em uma corrida de obstáculos. Ele era apoiado por evidências científicas e vontade política. Agora, esse impasse impede o avanço de uma medida de saúde pública essencial.
O custo humano e a urgência de uma solução
O tempo, nesta discussão, não é um fator neutro. Afinal, cada mês de atraso no programa nacional é crítico. O rastreio de diabetes tipo 1 em crianças deixa de ser feito, o que representa centenas de novos casos não identificados a tempo. Os custos humanos e financeiros disso são difíceis de mensurar. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações agudas, como a cetoacidose. Ele também garante uma melhor gestão da condição desde o início, resultando em mais qualidade de vida.
Felizmente, os quadros regulatórios já oferecem bons exemplos. Tanto na Itália quanto na Europa, eles mostram como saúde pública e proteção de dados podem coexistir. A chave está na governança. Ela se baseia em ferramentas digitais seguras e consentimento informado. Também utiliza padrões que garantem a segurança dos dados e a eficiência do monitoramento. A tecnologia e os protocolos corretos devem ser aliados da prevenção.
Assim, o nó a ser desatado é, portanto, político. Deste modo, cabe ao Ministério da Saúde Italiano sintetizar as diversas necessidades e urgências. Se a Lei 130 não avançar, as consequências serão graves. Não será apenas o fracasso de uma medida preventiva. Será também um golpe no esforço de evoluir para um modelo de saúde mais moderno, focado no bem-estar do cidadão desde a infância.
Posicionamento do Governo Italiano
Nossa equipe de reportagem entrou em contato com o Ministério da Saúde da Itália (Ministero della Salute), questionando a respeito da eficácia da Lei 130, contudo, até o momento da publicação desta matéria, nenhuma resposta foi enviada.
