O mistério do Diabetes Autoimune Latente do Adulto (LADA)
A condição conhecida como Diabetes Autoimune Latente do Adulto (LADA) é um tema que frequentemente gera dúvidas, pois se assemelha e se distingue do Diabetes Tipo 1. Contudo, o que realmente significa ter LADA e qual a sua relação com o Tipo 1? A distinção entre as classes de diabetes nem sempre é clara, e o diagnóstico correto é crucial para um tratamento eficaz.
Muitas pessoas pensam em diabetes Tipo 1 como uma condição de início na infância e no Tipo 2 como algo que afeta adultos, geralmente associado ao excesso de peso. O diabetes tipo LADA é, essencialmente, uma forma de Diabetes Tipo 1 manifestada na idade adulta. Embora seja uma condição autoimune, ela progride de forma mais lenta do que o Tipo 1 clássico. Por isso, a identificação do LADA pode ser um verdadeiro desafio para médicos e para quem tem diabetes.
LADA: uma manifestação adulta do Diabetes Tipo 1
A principal semelhança entre o LADA e o Diabetes Tipo 1 reside na sua fisiopatologia: ambos são de origem autoimune, onde o sistema imunológico ataca as células produtoras de insulina do pâncreas. No entanto, no LADA, o processo de destruição dessas células é mais indolente, ou seja, mais lento. Isso permite que a condição se manifeste somente na idade adulta.
Frequentemente, quem tem LADA pode apresentar, no início, um peso normal ou pouco elevado e sem histórico familiar de diabetes. Conforme destaca o Dr. Arnaldo Moura Neto, médico endocrinologista e mestre em Clínica Médica, em uma matéria para a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), muitos adultos com deficiência insulínica, incluindo o aumento do volume urinário e perda de peso, “são diagnosticados e tratados como DM2” inicialmente, pois a ideia de que o Tipo 1 é só para jovens ainda persiste.
O diabetes tipo LADA é, essencialmente, uma forma de Diabetes Tipo 1 manifestada na idade adulta. Esta manifestação tardia é a chave para o seu nome e para a confusão diagnóstica.
O diagnóstico e o tratamento adequado
O atraso no diagnóstico correto, que confunde o LADA com o Tipo 2, pode levar ao tratamento inadequado. Quem tem LADA muitas vezes é tratado inicialmente com medicamentos orais para Tipo 2. Como a produção de insulina ainda existe, pode haver uma resposta a esses secretagogos. No entanto, a falência progressiva das células produtoras de insulina irá demandar a insulinização.
O Dr. Moura Neto ressalta que, “se o paciente obteve controle inicial com secretagogos, deve ser orientado de que a evolução natural provavelmente será para necessidade de insulina em pouco tempo“. Ele ainda adiciona que a grande maioria das pessoas com LADA possui anticorpos plasmáticos elevados contra as células produtoras de insulina, o que confirma a natureza autoimune, embora esses testes nem sempre sejam prontamente solicitados.
É vital que o médico esteja atento, pois, para quem tem LADA, a necessidade de insulinização precoce e intensiva é o tratamento mais apropriado, assim como em qualquer caso de Diabetes Tipo 1. O tratamento correto impede que o paciente passe por uma “saga“, como descreve o Dr. Moura Neto, evitando o risco de complicações graves, como a cetoacidose.
O diabetes tipo LADA é, essencialmente, uma forma de Diabetes Tipo 1 manifestada na idade adulta. O reconhecimento rápido dessa condição é fundamental.
Diferenças e semelhanças em resumo
A principal diferença, portanto, é a idade de manifestação e a velocidade de progressão da condição autoimune.
| Característica | Diabetes Tipo 1 (clássico) | Diabetes Tipo LADA |
| Idade de Início | Geralmente infância ou adolescência | Idade adulta |
| Progressão Autoimune | Rápida, com falência precoce da insulina | Lenta (indolente) |
| Tratamento Inicial | Insulinização imediata | Pode responder a medicamentos orais (temporariamente) |
| Etiologia (Causa) | Autoimune | Autoimune |
| Necessidade de Insulina | Sim | Sim (em poucos meses ou anos) |
Entender que o LADA é uma espécie de Tipo 1, porém com início tardio, orienta o tratamento para a insulinização, corrigindo o erro de confundi-lo com o Diabetes Tipo 2. Isso ajuda a impedir o aparecimento de complicações agudas e crônicas, tornando a jornada para quem tem essa condição muito menos complicada.