Aos 6 anos, no dia 4 de agosto de 2000, Beatriz Scher Montalvão recebeu uma notícia que mudaria sua vida: o diagnóstico de diabetes tipo 1. Hoje, aos 31 anos, formada em Relações Públicas e prestes a concluir Biomedicina, ela é mais conhecida como Biabética, uma referência nas redes sociais e inspiração para milhares de pessoas que convivem com a mesma condição.
A trajetória de Bia mostra que viver bem é possível, e a sua experiência transformou-se em propósito. Ela se prepara para atuar como especialista, fechando um ciclo de 25 anos desde que recebeu o diagnóstico. A menina que um dia precisou aprender a aplicar insulina agora se torna uma profissional da saúde. Conheça a fundo a história de como a influenciadora com diabetes realiza sonho de ser profissional de saúde.
A descoberta e o início da jornada com o diabetes
Os primeiros sinais apareceram na infância. Bia sentia muita sede, precisava ir ao banheiro a todo momento e perdeu peso de forma rápida. Incomodada com o próprio corpo, ela chegou a dizer à mãe que estava “estranho”. A sensibilidade materna fez toda a diferença.
Mesmo diante de médicos que minimizaram os sintomas, a família insistiu em buscar respostas. Foi assim que encontraram uma médica que solicitou os exames de sangue. O resultado confirmou a glicemia alterada e trouxe o diagnóstico do diabetes tipo 1.
O impacto poderia ter sido devastador. No entanto, a forma como os pais conduziram a situação transformou tudo. Com acolhimento, explicações claras e a parceria da médica Solange, que também vive com a condição e acompanha Bia até hoje, a menina cresceu entendendo que o diabetes não seria uma barreira para seus sonhos. Portanto, o apoio familiar foi crucial. “Desde o início meus pais me ensinaram que se eu aplicasse insulina tudo ficaria bem. Nunca me senti proibida de nada”, lembra.
A construção da autonomia e o divisor de águas
Na adolescência, Bia começou a usar bomba de insulina e passou a assumir a responsabilidade de aplicar as doses por conta própria. Essa autonomia, contudo, trouxe erros e esquecimentos, comuns para quem ainda está aprendendo a lidar com o tratamento. Mas, além disso, consolidou sua consciência de que o cuidado era essencial para o seu bem-estar.
O encontro com Victor, seu atual marido, foi um divisor de águas. Aos 18 anos, ele a incentivou a cuidar melhor da saúde e a pensar no futuro. A mudança de postura refletiu nos números. Sua hemoglobina glicada, que era 9, caiu para 7 e se mantém estável até hoje. É notável ver como a influenciadora com diabetes realiza sonho de ser profissional de saúde e, antes, já se cuidava.
O nascimento da Biabética e seu propósito
Durante a faculdade, Bia enfrentou a necessidade de atualizar a bomba de insulina e não tinha recursos para isso. Um episódio inusitado mudou tudo. Sentada em uma praça, ela foi abordada por um defensor público que explicou como conseguir o tratamento pelo Estado do Rio de Janeiro. Em um mês, ela já tinha acesso à nova tecnologia.
A experiência a marcou profundamente. Bia sentiu que precisava compartilhar aquela informação para ajudar outras pessoas. Assim, ela criou um blog, depois uma página no Facebook e, mais tarde, um perfil no Instagram. Foi assim que nasceu o projeto Biabética. O nome, que começou como um apelido carinhoso dado por Victor, ganhou força e passou a ser símbolo de acolhimento e inspiração.
Impacto na vida de outras pessoas
Com o tempo, Bia percebeu a dimensão do trabalho que realizava. Mensagens de pessoas recém-diagnosticadas começaram a chegar todos os dias. Por exemplo, houve quem aceitasse aplicar insulina sozinho depois de ver uma foto dela fazendo o mesmo. Outras pessoas só tiveram coragem de usar bomba e sensor após acompanhar seus vídeos. Pais e mães relatavam que os filhos passaram a encarar o tratamento com menos medo e mais confiança.
“Transformar a minha experiência em algo útil para outras pessoas é o que mais me motiva. Receber relatos de que um post mudou a forma como alguém enxerga o diabetes é emocionante”, conta a influenciadora.
Do diagnóstico ao jaleco branco
Formada em Relações Públicas desde 2015, Bia decidiu retomar a vida acadêmica para realizar um sonho antigo: ser profissional da saúde. Em 2025, ela conclui a graduação em Biomedicina, fechando um ciclo de 25 anos desde o diagnóstico. A menina que um dia precisou aprender a aplicar insulina agora se prepara para atuar como especialista e multiplicadora de conhecimento científico. De fato, a influenciadora com diabetes realiza sonho de ser profissional de saúde com dedicação.
Livro de pintar: leveza e educação
Entre os projetos já realizados, está o livro de pintar “As chaves da Beatriz“, inspirado no gesto de seu pai no dia do diagnóstico. Para que a filha entendesse a condição aos 6 anos, ele desenhou uma fábrica de insulina e os anticorpos que atacavam o pâncreas. Dessa forma, essa forma lúdica de aprender se transformou em um material educativo e terapêutico. O material ajuda crianças a compreenderem o diabetes sem medo e adultos a ressignificarem sua própria relação com a condição.
Novos projetos e uma mensagem de esperança
Bia agora se dedica a um novo projeto que vai reunir informação confiável e acolhimento. O objetivo é oferecer conhecimento estruturado e fácil de acessar, sem que as pessoas precisem se perder em buscas confusas na internet.
“Quero que Biabética seja lembrado como sinônimo de esperança e acolhimento. Um espaço onde as pessoas se sintam apoiadas e inspiradas a viver bem com o diabetes”, afirma. Finalmente, para quem acabou de receber o diagnóstico, Bia deixa uma mensagem clara:
“Existe luz no fim do túnel. No começo parece assustador, cheio de regras, mas a insulina é a chave que permite viver tudo o que você sonhar. O diabetes faz parte da sua história, mas nunca será o que vai te definir.”
A trajetória de Beatriz Scher mostra que o diabetes tipo 1 pode até mudar o rumo da vida, mas não precisa ser um limite. Pelo contrário, a condição pode ser o impulso para transformar dor em propósito e experiência em inspiração.