O fim do domingo marca o encerramento da pausa, mas para quem tem o diabetes, este momento pode, às vezes, vir acompanhado de uma sensação de peso. A tristeza sutil que surge ao pensar na rotina da semana, repleta de checagens, doses, e a constante gestão da glicemia, merece atenção. Essa rotina de autocuidado, que é contínua e exigente, torna quem convive com o diabetes mais vulnerável a problemas de saúde mental, incluindo a depressão. Por isso, entender a relação entre o diabetes e a depressão é o primeiro passo para garantir um bom preparo mental para iniciar a semana.
Assim, a saúde mental precisa de prioridade, especialmente quando se lida com uma condição crônica. No entanto, não podemos encarar o desânimo ou a tristeza profunda como falta de vontade. A ciência comprova que o diabetes aumenta o risco de depressão, e vice-versa. Assim, buscar estratégias proativas para cuidar da mente se torna tão essencial quanto monitorar a glicemia.
O ciclo vicioso: a ligação entre glicose alta e depressão
A ligação entre o controle glicêmico e a saúde mental não é apenas psicológica; ela tem uma base fisiológica. O endocrinologista Dr. Rodrigo Siqueira explicou em uma live, conduzida pelo jornalista Tom Bueno em nosso canal no Youtube, que o diabetes é um fator de risco para a depressão. Assim, ele reforça que a hiperglicemia, ou glicose alta, desencadeia um processo perigoso no organismo.
O Dr. Siqueira afirma: “Essa hiperglicemia, a glicose alta, ela gera mudanças, gera inflamação cerebral que atrapalha ali na comunicação… e aí acaba aumentando o risco de depressão.” Consequentemente, quanto mais descompensada a glicose, maior o risco. O problema se torna um ciclo: “O paciente está deprimido e isso piora o controle da glicose e o controle da glicose reforça a depressão,” detalha o especialista, destacando a importância de um tratamento contínuo e integrado.
A prevalência dessa condição é alarmante. Estudos mostram que um em cada quatro pacientes com diabetes tem também o diagnóstico de depressão, um número que exige maior atenção. É fundamental encarar a depressão como uma condição de saúde que tem tratamento, e não como uma fraqueza pessoal. Conforme aponta o Dr. Siqueira, a depressão é uma questão química, envolvendo a falta de substâncias no cérebro, e por isso, exige intervenção especializada.
Identificando os sinais de alerta da depressão
A Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP) define a depressão como uma condição da mente e do corpo que afeta o estado de humor, manifestando-se como uma tristeza anormal e a diminuição da energia. Embora sentir-se triste ocasionalmente seja normal, a relação entre o diabetes e a depressão exige que quem tem o diabetes e seus familiares fiquem em alerta para sintomas persistentes.
O Dr. Siqueira, citando a Sociedade Americana de Diabetes, ressalta um critério chave:
“Se a tristeza acontece sem uma causa aparente, persiste na maior parte do dia e dura duas semanas ou mais, é o momento de procurar ajuda profissional.”
Os sintomas se dividem em aspectos psicológicos e físicos. O jornalista Tom Bueno compartilhou a lista da SBP, que inclui sinais psicológicos como tristeza persistente, baixa autoestima, isolamento social, e falta de motivação. No âmbito físico, procure notar:
- Insônia ou sonolência em excesso.
- Cansaço físico e dores inexplicáveis.
- Perda ou ganho de peso.
- Desinteresse sexual.
É importante lembrar que não é preciso ter todos os sintomas para o diagnóstico, pois a depressão tem graus. Além disso, o Dr. Siqueira destaca que em crianças e adolescentes, a depressão pode se manifestar de forma diferente, por meio de irritabilidade ou ansiedade excessiva, e não apenas pela tristeza.
Um início de semana mais leve
Aceitar que a depressão é uma condição tratável e buscar ajuda profissional, com psicólogos e psiquiatras, representa o primeiro grande passo para a recuperação. Além disso, algumas mudanças de hábito complementam o tratamento e ajudam a quebrar o ciclo vicioso.
1. Invista na Atividade Física: O exercício físico é um grande aliado. O Dr. Siqueira confirma que o exercício ativa o cérebro, promove bem-estar e pode dobrar as chances de parar a medicação quando combinado com antidepressivos. Mover o corpo ajuda a trocar a angústia por uma sensação de bem-estar.
2. Crie e siga uma rotina: A rotina traz estabilidade e senso de propósito. O Dr. Siqueira explica que perder a rotina, um fator muito presente durante a pandemia, contribuiu significativamente para o agravamento da depressão. Estabeleça horários para acordar, para as refeições, para o trabalho e para o lazer.
3. Priorize o sono reparador: Dormir bem, em quantidade adequada (cerca de oito horas), é essencial. Durante o sono, o corpo libera hormônios importantes que promovem o bem-estar e a recuperação mental.
4. Use o poder da meditação e da respiração: Técnicas de relaxamento, meditação e respiração profunda vêm sendo cada vez mais comprovadas por estudos como ferramentas que beneficiam a saúde mental.
5. Lembre-se da dieta e do álcool: Mantenha uma alimentação balanceada e, de acordo com as recomendações médicas, reduza ou zere o consumo de bebidas alcoólicas. O álcool, em excesso, funciona como um depressor do sistema nervoso, piorando o quadro.
O incentivo que você precisa
O jornalista Tom Bueno, que também compartilhou seu relato pessoal de enfrentar a depressão, incentiva: “Você assume isso, e você busca também melhorar… você consegue levar uma vida mais tranquila.” Encarar a realidade, buscar tratamento e adotar um autocuidado consciente são as melhores formas de se proteger da relação entre o diabetes e a depressão e iniciar qualquer semana com mais força e foco.
