Dois anos após lançar um programa pioneiro de acesso gratuito ao sensor de glicose FreeStyle Libre, Aparecida de Goiânia (GO) quase dobrou o número de beneficiários. Nesse período, o número de atendidos saltou de 60 para 112 pacientes, e as histórias de famílias como a de Iago, hoje com 11 anos, mostram como a tecnologia mudou rotinas, trouxe mais segurança e transformou a relação com a doença.
O reencontro com Iago
Quando o jornalista Tom Bueno esteve na cidade em 2023, Iago ainda era um garotinho tentando entender por que precisava monitorar a glicose. Furar os dedos era doloroso e assustador. No entanto, agora, dois anos depois, reencontramos um menino confiante que, após ter acesso gratuito ao sensor de glicose, mede sozinho a glicemia no recreio, avisa professores quando precisa de ajuda e segue brincando como qualquer colega.
“Foi libertador”, resume sua mãe, Maria Aparecida. “Hoje ele tem autonomia, sabe identificar uma hipo ou hiperglicemia e nos avisa com calma. Isso dá segurança para ele e para nós.
A vida em transformação
Assim, mais que controle glicêmico, o sensor trouxe autoestima e conexões sociais. O vídeo gravado em 2023 para a campanha Todos Pelo Diabetes repercutiu na escola. “No começo fiquei com vergonha, mas depois ganhei amigos. Até conheci um colega mais velho que também usa o Libre. Ficamos próximos por isso”, conta Iago.
Para Maria, a mudança também foi radical. Antes, precisava ir todos os dias ao colégio na hora do intervalo. Hoje, professores e colegas ajudam no monitoramento, e ela consegue respirar aliviada.
“Antes, com ponta de dedo, eu vivia no limite, sem dormir direito. Agora posso descansar. Se não sou eu, meu marido ou minha filha monitoram pelo sensor. Isso nos dá paz”, diz.
O programa em números
De 2023 a 2025, o programa municipal saltou de pouco mais de 60 pacientes para 112 atendidos. Segundo a endocrinologista pediatra Jéssica França, esse crescimento mostra a força da iniciativa:
“O programa vem se consolidando como modelo. Famílias até se mudam para Aparecida de Goiânia em busca do sensor. Isso mostra como uma política pública pode transformar vidas.”
A médica destaca ainda que os resultados não aparecem apenas nos exames: “Com a glicemia mais previsível, as crianças ficam mais tranquilas, aprendem melhor e se relacionam de forma mais saudável. O sensor devolve autonomia, e isso é extraordinário.”
Resultados além dos números
Porém, entre os pacientes atendidos, também há outros casos marcantes. Um menino que vivia internado quatro ou cinco vezes ao ano passou a usar o sensor e completou um ano sem hospitalizações. “Foi um divisor de águas. A única mudança foi a tecnologia”, afirma Jéssica.
Ela lembra que alguns pacientes apresentaram aumento inicial na hemoglobina glicada, mas isso indicava que estavam saindo de crises frequentes de hipoglicemia. “Foi um passo necessário para depois reduzir as hiperglicemias. É um processo de educação e amadurecimento.”
Dois anos depois, um saldo positivo
Se em 2023 a novidade era o início do programa, em 2025 o destaque é o impacto comprovado: quase o dobro de beneficiários, menos internações, famílias mais tranquilas e crianças mais seguras.
“É um desafio todos os dias, mas agora não estamos sozinhos. O sensor trouxe segurança para meu filho e paz para nossa casa”, resume Maria Aparecida.
Assim, para Iago, que hoje corre pelo recreio sem medo, dois anos fizeram toda a diferença.
