Uma declaração recente do presidente dos Estados Unidos sobre uma possível relação entre o uso de paracetamol na gravidez e casos de autismo reacendeu o debate científico. O comentário de Trump gerou preocupação em gestantes e famílias, incluindo as que convivem com o diabetes. Contudo, especialistas reforçam: ainda não existe comprovação de que o medicamento cause autismo. A relação entre paracetamol e autismo é incerta e exige cautela. Mas, o paracetamol é seguro para quem tem diabetes?
O diabetes e a atenção redobrada
No entanto, para quem vive com o diabetes, a discussão é ainda mais importante. Mulheres grávidas com o diabetes já têm um risco maior de complicações. O uso de medicamentos para febre ou dor precisa ser ainda mais cauteloso. Por exemplo, O fígado pode ser mais vulnerável para quem tem o diabetes devido à esteatose hepática não alcoólica, uma condição comum nesse grupo. Em altas doses, o paracetamol é hepatotóxico. Além disso, a febre e as infecções podem elevar a glicemia, então é fundamental monitorar os níveis de glicose.
Orientações de especialistas e autoridades
A OMS diz que as evidências atuais não permitem confirmar um risco direto. A FDA está estudando mudanças nos rótulos para que médicos e pacientes sejam melhor orientados. No Brasil, sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reforçam a importância de que qualquer decisão sobre medicamentos seja feita em conjunto com o médico. Assim, o uso de paracetamol para quem tem diabetes ter cautela.
Como usar o medicamento com segurança
Para as pessoas, com ou sem o diabetes, os especialistas dão algumas recomendações:
- Tome a menor dose eficaz, pelo menor tempo possível.
- Não se automedique durante a gestação.
- Consulte seu médico antes de usar paracetamol com frequência.
- Se a febre, dor ou outros sintomas persistirem, investigue a causa em vez de apenas controlar os sinais.
- Mantenha o controle da glicemia em situações de doença, ajustando o tratamento conforme a orientação profissional.
Posicionamento da SBD
Após a publicação desta matéria, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) enviou posicionamento oficial a respeito do uso de paracetamol por pessoas que convivem com o diabetes. Segue a declaração da entidade, na pessoa do Dr Renato Redorat, coordenador da SBD e um dos responsáveis pela seção Fato ou Fake da entidade:
“Em relação à formação do diabetes, tem um estudo prospectivo lá nos Estados Unidos, na Inglaterra, no Reino Unido, um estudo bem interessante com mais de 300 mil pacientes, 370 mil pacientes, onde mostrou uma correlação entre o uso crônico do paracetamol e a incidência de diabetes, mas de uma população muito específica. Eles deveriam ter menos de 60 anos de idade, não deveriam ter doença cardiovascular ou uso de drogas antipertensivas, o que é uma população, quem sabe, não muito comum na população diabética. É uma população de alto risco, normalmente já tem uma doença cardiovascular e a grande maioria usa antipertensivo. Nessa população, em usuários crônicos do paracetamol, frente ao ibuprofeno, que foi a droga, houve uma incidência maior de diabetes.”
