A metformina, um medicamento acessível e seguro que pessoas com o diabetes tipo 2 usam há décadas, voltou a ser muito comentada nas redes sociais. A razão é simples: o remédio se tornou uma febre para emagrecer.
É fácil encontrar nas plataformas digitais relatos de pessoas que dizem ter perdido peso com o uso do medicamento. No entanto, as pessoas discutem menos os perigos escondidos da metformina para emagrecer, já que a automedicação é arriscada e o efeito sobre a perda de peso é modesto.
Compreender a metformina e seu real impacto é fundamental para quem busca soluções para o emagrecimento. O medicamento não é um tratamento eficaz para a obesidade, e a popularidade atual se baseia mais em relatos de internet do que em evidências científicas.
O que é a metformina?
Descoberta na década de 1920, a metformina pertence à classe das biguanidas e tem como principal função reduzir a produção de glicose pelo fígado. Ela também aumenta a sensibilidade à insulina, o que ajuda a controlar a glicemia em pessoas com resistência insulínica.
Por ser um medicamento barato e amplamente disponível, inclusive pelo programa Farmácia Popular, a metformina se tornou a base do tratamento para o diabetes tipo 2. Os médicos também prescrevem o medicamento em casos de pré-diabetes e síndrome dos ovários policísticos (SOP).
Funciona para emagrecer?
Estudos demonstram que a metformina pode causar uma perda de peso média de apenas 2% a 3% do peso corporal, o que é um resultado modesto. Para que um medicamento seja considerado eficaz na perda de peso, essa porcentagem deve ser superior a 5%, como apontam especialistas na área. Por isso, a metformina não é um tratamento para a obesidade.
Este efeito, quando acontece, costuma ser mais notável em pacientes que já têm resistência à insulina, como aqueles com o diabetes, pré-diabetes ou SOP. Em indivíduos saudáveis, o impacto é quase inexistente. Além disso, uma parte da confusão sobre o uso da metformina para emagrecer se dá por ela estimular, de forma sutil, a produção de GLP-1, o mesmo hormônio que os medicamentos modernos Ozempic e Mounjaro têm como alvo. No entanto, enquanto os remédios mais novos agem diretamente nos centros de fome e saciedade, a metformina tem uma ação fraca e indireta.
Riscos e efeitos colaterais
Embora a metformina seja segura, ela não é isenta de efeitos adversos. O uso prolongado pode levar à deficiência de vitamina B12, o que causa fadiga, anemia e, em alguns casos, problemas neurológicos. Entre os efeitos colaterais mais comuns, destacam-se náuseas, diarreia, dor abdominal e gosto metálico na boca.
Outro ponto de alerta é o risco de acidose láctica, uma complicação rara, mas grave. Esse problema pode ocorrer quando o medicamento é usado por pessoas com insuficiência renal. Nesses casos, a droga não é eliminada corretamente e se acumula no organismo, o que aumenta o risco. Portanto, ao se automedicar, a pessoa está se expondo a esses efeitos colaterais sem a garantia de resultados significativos na perda de peso.
Por que virou febre?
O interesse recente na metformina está ligado ao sucesso de medicamentos modernos para a obesidade. Nas redes sociais, as pessoas comparam a metformina com os análogos de GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, criando a falsa impressão de que a metformina é uma alternativa barata. No entanto, o efeito é mínimo, e a ação do medicamento é secundária em relação aos mais novos.
Especialistas alertam que a popularização do uso sem indicação médica revela um problema maior: a busca por soluções rápidas. O remédio se tornou moda porque é barato e fácil de encontrar, mas o uso indiscriminado revela os perigos escondidos da metformina para emagrecer, expondo as pessoas a riscos desnecessários e resultados frustrantes. É crucial lembrar que o uso fora do contexto é perigoso e pode ter um custo alto a longo prazo para a saúde.
