O diagnóstico do diabetes tipo 1 em adultos é um desafio real. Metade dos novos casos surge após os 18 anos, mas a condição é frequentemente confundida com o diabetes tipo 2. Esse erro, portanto, leva a atrasos no tratamento, prejudicando o controle da glicemia e aumentando o risco de complicações.
Recentemente, no Congresso Europeu sobre o Diabetes (EASD) 2025, um painel de especialistas discutiu esse problema e, por isso, propôs uma solução.
O desafio de identificar o diabetes tipo 1 em adultos
Muitas pessoas, afinal, associam o diabetes tipo 1 apenas à infância ou adolescência. No entanto, o EASD 2025 reforçou a necessidade de mudar essa percepção. Os especialistas Dra. Silvana Neiva e Dr. Fernando Valente, estiveram no evento e destacaram um dado crucial : “50% dos novos casos de diabetes tipo 1 eles ocorrem no adulto e 77% são diagnosticados erroneamente como diabetes tipo 2”.
Essa confusão inicial acontece porque o início do diabetes tipo 1 em adultos pode ser mais gradual, assemelhando-se aos sintomas do tipo 2. A demora no diagnóstico correto atrasa o tratamento com insulina, que é fundamental para quem tem diabetes tipo 1. Desse modo, o paciente pode ter seu controle glicêmico comprometido.
A escala AABBCC como ferramenta de triagem
Para ajudar a identificar corretamente a condição, a palestra propôs a escala AABBCC. Ela funciona, com efeito, como uma triagem que orienta o profissional de saúde. “Naqueles pacientes que têm um controle difícil ou que estão com a glicose alterada, eles propuseram a escala AABBCC”, explicou Silvana Neiva.
A escala AABBCC considera, ademais, seis critérios:
- Age (idade): menor que 35 anos.
- Autoimmunity (autoimunidade): histórico pessoal ou familiar de doenças autoimunes.
- Body Mass Index (índice de massa corporal): IMC menor que 25.
- Background (histórico familiar): histórico familiar de diabetes tipo 1.
- Control (controle): nível de controle glicêmico ruim.
- Comorbidities (comorbidades): tratamento para algum tipo de câncer.
Quando esses critérios são preenchidos, a recomendação, então, é investigar com autoanticorpos para confirmar a presença do diabetes tipo 1. Conforme Silvana Neiva, essa confirmação “vai fazer a total diferença no controle dele ao longo da sua vida.”
Impacto no tratamento e no futuro
A correta identificação do tipo de diabetes impacta diretamente o tratamento e a qualidade de vida. Um diagnóstico preciso permite iniciar a terapia com insulina de forma imediata, prevenindo complicações graves a longo prazo.
Reconhecer que o diabetes tipo 1 pode começar em qualquer idade é o primeiro passo para garantir que as pessoas recebam o cuidado adequado. A escala AABBCC é uma ferramenta promissora para reduzir a taxa de diagnósticos incorretos e otimizar a saúde de quem vive com a condição.
