A medicina está em constante evolução, e o Congresso Europeu de Diabetes, o EASD 2025, em Viena, Áustria, é a prova disso. Uma das maiores novidades do evento é uma tecnologia que usa inteligência artificial para identificar o risco cardiovascular a partir de uma análise da retina. Médicos brasileiros, incluindo as endocrinologistas Mônica Gabbay e Denise Franco, participaram dos testes. Para quem vive com o diabetes, esta inovação é especialmente importante, já que a condição aumenta o risco de problemas do coração, um dos principais desafios de saúde relacionados à ela.
A tecnologia, portanto, se apresenta como uma nova e valiosa ferramenta para o monitoramento e tratamento do diabetes. O cardiologista Dr. Diandro Mota, que também participou dos testes, ressalta a importância da prevenção. “O que a gente tem como cardiologista de maior desafio é prever quem vai ter infarto, quem vai ter AVC, quem vai morrer do coração,” ele explica. De acordo com o médico, enquanto os modelos clínicos são úteis, novas ferramentas agregam ainda mais valor. A nova tecnologia oferece um caminho muito mais rápido e acessível para avaliar a saúde do coração em quem vive com o diabetes.
A retina como um indicador de saúde
Atualmente, um dos exames mais utilizados para avaliar o risco cardiovascular é o score de cálcio coronariano. “A gente faz uma tomografia do tórax, sem contraste, e tenta identificar o que tem de calcificação nas coronárias,” explica o Dr. Diandro. Segundo ele, este exame ajuda a reclassificar o risco de um paciente, que, mesmo com um risco baixo, pode subir para um risco moderado após o resultado alterado. A nova tecnologia, no entanto, oferece um método mais rápido.
“Essa ferramenta agora que a Mônica está experimentando, a partir de uma fotografia do fundo de olho, um modelo de Deep Learning, inteligência artificial, consegue analisar os vasos da retina e a partir dali correlacionar com o score de cálcio,” conta o médico. A rapidez do processo é impressionante. Em menos de três minutos, o paciente pode ter uma ideia do seu risco cardiovascular.
O teste de Mônica Gabbay, por exemplo, foi concluído em um tempo muito curto. “Realmente, ó, ela já até terminou. É fantástico,” ele comenta. Depois de testar a si mesmo, o Dr. Diandro Mota se mostrou entusiasmado. A nova ferramenta representa uma maneira revolucionária de conectar o olhar à saúde do coração, especialmente para quem tem o diabetes.
