A carga mental do diabetes e a busca por tranquilidade foram temas de destaque no Congresso Europeu de Diabetes (EASD) 2025, que aconteceu em Viena. De fato, este ano, a discussão ultrapassou as fronteiras dos tratamentos físicos para focar em uma dimensão muitas vezes invisível: o peso emocional de viver com a condição. A organização do evento tem demonstrado um interesse crescente em abordar os aspectos psicossociais do diabetes, e os dados mais recentes apresentados lá confirmam que esta é uma necessidade urgente para quem vive com a condição, especialmente o tipo 1.
O diabetes distress, ou estresse relacionado ao diabetes, foi um dos focos centrais de um consenso lançado pela própria Associação Europeia de Diabetes. Essa nova diretriz, aliás, incentiva intervenções psicológicas e o uso de tecnologias para aliviar essa tensão constante. Pessoas com diabetes tipo 1, por exemplo, precisam pensar na condição cerca de 120 vezes por dia, ou seja, a cada 12 minutos, em média. Essa frequência incessante de decisões e monitoramentos é, sem dúvida, uma fonte significativa de esgotamento mental e pode impactar profundamente a qualidade de vida.
O peso invisível do diabetes tipo 1
Viver com diabetes tipo 1 significa estar em alerta constante. Assim, cada refeição, cada exercício e cada sintoma exige uma análise e uma ação imediata. Consequentemente, a pessoa com a condição raramente tem um momento de “folga” do pensamento. A carga mental é o fardo de ter que pensar no diabetes o tempo todo, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana.
O Dr. Fernando Valente, que esteve em Viena e acompanhou a discussão de perto, reforçou a gravidade do tema. “A gente sabe que a pessoa com diabetes… a cada 12 minutos lembra da doença, o diabetes. Então são 24 horas, sete dias na semana, não tem descanso“, destacou ele. Portanto, essa preocupação contínua pode levar a um quadro de estresse que, por sua vez, afeta o controle glicêmico e o bem-estar geral. Felizmente, novas diretrizes de tratamento, como a divulgada no EASD, reconhecem este problema e buscam soluções.
Tecnologia como aliada da saúde mental
A boa notícia apresentada no congresso é que a tecnologia pode ser uma grande aliada na redução desse estresse. Ferramentas como os sensores de glicose em tempo real, por exemplo, estão mudando o jogo. Eles oferecem não apenas dados de glicemia, mas também setas de tendência e alertas que ajudam a pessoa a prever e agir.
O Dr. Valente explica: “Eles estão lançando, por exemplo, agora um consenso da Associação Europeia de Diabetes, falando do diabetes distress, indicando, por exemplo, intervenção psicológica e até o CGM. O sensor, por exemplo, diminuindo um pouco esse estresse causado pelo diabetes, essa coisa de ficar tendo que pensar o tempo todo na doença e deixar a pessoa levar a sua vida e fazer as suas coisas com um pouco mais de tranquilidade.” Em suma, ao fornecer informações claras e em tempo real, os sensores diminuem a incerteza e, portanto, a necessidade de checagens constantes e de preocupação com o “e agora?”.
Cuidados com o corpo e a mente
Concluindo, a busca por uma melhor saúde mental é uma parte crucial do tratamento do diabetes. Como o Dr. Valente e a Dra. Denise Franco discutiram no EASD 2025, não se pode separar o cuidado com o corpo do cuidado com a mente. Pensando nisso, uma abordagem que combine suporte psicológico e o uso inteligente de tecnologia parece ser o caminho para aliviar o peso mental do diabetes, devolvendo tempo, liberdade e tranquilidade para quem vive com a condição.
E você, em que momento do dia a preocupação com o diabetes mais pesa para você? O que te ajuda a aliviar esse fardo?
