O Congresso Europeu de Diabetes (EASD 2025) trouxe à tona discussões inovadoras. Uma das pautas principais foi o uso do monitor contínuo de glicose (CGM) em ambientes hospitalares. Afinal, a tecnologia ajuda no tratamento da cetoacidose diabética (CAD). Tradicionalmente, o controle da glicemia nesses casos é feito com infusão contínua de insulina intravenosa. Além disso, há medições de glicemia capilar a cada hora. Agora, uma nova abordagem surge, prometendo mais conforto e eficiência.
Durante o congresso, os médicos Fernando Valente e Rosane Kupfer, especialistas em diabetes, comentaram um estudo. Eles investigaram a viabilidade do CGM para pacientes internados com CAD. Esta pesquisa, por exemplo, foi feita durante a pandemia de COVID-19. Os dados são robustos e convincentes sobre a eficácia do sensor. O estudo comparou a monitorização convencional com o uso do CGM. Os resultados reforçam a segurança e a precisão desta tecnologia mesmo em situações de maior complexidade. A seguir, vamos explorar os detalhes desta pesquisa. Por fim, vamos ver como ela pode transformar o cuidado em hospitais.
Precisão e conforto para quem tem diabetes
O estudo apresentado no EASD 2025, conforme descrito por Rosane Kupfer, trouxe à luz informações cruciais sobre o uso do CGM em ambiente hospitalar. A acurácia do sensor foi validada, com 98% das medições situadas na Zona A do Clarke Error Grid, um resultado considerado excelente. Apenas uma pequena porcentagem ficou na Zona B, o que ainda é clinicamente aceitável. O mais importante, no entanto, é o impacto prático no tratamento.
“Verificaram que a acurácia do sensor foi boa, puderam confiar nos dados do sensor“, ressaltou Rosane Kupfer. O uso da tecnologia permitiu uma tomada de decisão mais rápida e precisa, além de reduzir a necessidade de inúmeras punções digitais. Isso não apenas aumenta o conforto de quem está internado, mas também otimiza o trabalho da equipe de enfermagem, que pode focar em outras tarefas críticas.
Vantagens práticas no tratamento hospitalar
Um dos pontos mais interessantes do estudo é a redução de eventos de hipoglicemia grave e a diminuição das admissões na terapia intensiva para pacientes mais graves, segundo Rosane Kupfer. Embora não tenha havido diferença no tempo de resolução da cetoacidose entre os grupos, a capacidade de o CGM fornecer dados em tempo real é uma vantagem significativa.
A pesquisa também mostrou uma redução importante no número de glicemias capilares, um benefício direto para pacientes que podem ter dificuldades em realizar essas medições, como aqueles com distúrbios hemorrágicos ou acesso venoso comprometido. Em suma, o estudo demonstrou que o CGM pode ser um aliado poderoso no tratamento, não apenas no controle da glicemia em si, mas também na melhoria dos desfechos clínicos e na otimização dos recursos hospitalares.
O futuro do controle de glicemia em hospitais
A pesquisa, que treinou intensivamente a equipe de enfermagem para usar a tecnologia, demonstrou que a implementação do CGM em hospitais é viável. A exclusão de pacientes muito instáveis, em ventilação mecânica ou renais terminais indica que a tecnologia ainda tem limitações, mas os resultados com o grupo estudado são promissores.
“Achei que era uma coisa interessante porque é uma coisa prática que a gente vai poder usar baseado em dados cada vez mais concretos“, afirmou Rosane. O uso do CGM, que já é uma realidade no cuidado ambulatorial, agora se expande para o ambiente hospitalar. Essa inovação é um passo importante para um tratamento mais eficiente e humanizado, reforçando que a tecnologia pode ser uma grande aliada no manejo da cetoacidose e de outras complicações do diabetes.
