O maior evento médico sobre diabetes da Europa, o Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), é um marco anual para profissionais de saúde e pesquisadores. O evento, realizado em Viena, Áustria, reúne as mentes mais brilhantes da área para discutir novas diretrizes, pesquisas de ponta e os desafios atuais no tratamento do diabetes. A grandeza do EASD 2025 é inegável, pois ele molda o futuro do cuidado e do entendimento da condição em nível global. Assim, a comunidade médica aguarda com grande expectativa as discussões e as descobertas apresentadas.
Obesidade infantil: um alerta para o futuro
Uma das palestras mais impactantes do EASD 2025 abordou o preocupante aumento da obesidade infantil. Embora o congresso tradicionalmente se concentre no diabetes e na obesidade em adultos, a discussão sobre a faixa etária pediátrica foi crucial. A endocrinologista pediátrica Monica Gabbay, que participou do evento, chamou a atenção para dados alarmantes: se o cenário atual não mudar, teremos 30% dos meninos e 20% das meninas com obesidade até 2035. Esse número, chocantemente, supera a população mundial em desnutrição.
A obesidade infantil começa cedo, por volta dos 2 ou 3 anos de idade. Consequentemente, isso aumenta o risco de obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares na vida adulta em mais de cinco vezes. De acordo com a Dra. Gabbay, a abordagem tradicional focada apenas em alimentação e atividade física tem tido pouco sucesso, especialmente com adolescentes. No entanto, novas medicações trouxeram uma esperança. Fármacos como a semaglutida (aprovada para uso a partir dos 12 anos) e a liraglutida (a partir dos 6 anos) estão disponíveis. A Dra. Monica Gabbay alerta para a necessidade de encarar a obesidade como uma condição, mesmo em crianças, e os profissionais de saúde devem ficar atentos a esse alerta.
A importância da perda de peso no controle do diabetes tipo 2
A relação entre a perda de peso e um melhor controle do diabetes tipo 2 foi outro ponto de grande destaque no EASD 2025. O endocrinologista brasileiro André Viana compartilhou dados concretos de um estudo que ele acompanhou no congresso. A pesquisa utilizou a monitorização contínua de glicose para demonstrar que a perda de peso melhora o controle do açúcar no sangue, conhecido como tempo no alvo (time in range).
Os dados apresentados foram impressionantes. Pacientes que perderam menos de 10% do peso corporal tiveram um tempo no alvo de 81%. Por outro lado, aqueles que perderam mais de 20% do peso atingiram quase 94% de tempo no alvo. Essa diferença representa um ganho de mais de 200 minutos, ou seja, mais de três horas a mais de tempo no alvo, para quem perdeu mais peso. Isso mostra que, mesmo usando a mesma medicação, a perda de peso é um fator determinante para o sucesso do tratamento. Conforme o Dr. Viana, o melhor resultado é uma combinação de medicação, alimentação e, sobretudo, a perda de peso.
O papel dos profissionais brasileiros
A presença de profissionais brasileiros como Monica Gabbay e André Viana no EASD 2025 reforça a relevância da pesquisa e da prática clínica no Brasil. Eles não apenas participam do debate global, mas também trazem para o país as últimas novidades e as melhores práticas, garantindo que o cuidado com as pessoas que têm diabetes evolua constantemente. A participação ativa de especialistas brasileiros em eventos de tamanha magnitude é fundamental para o desenvolvimento da saúde no Brasil.
