A Organização Mundial da Saúde (OMS) adicionou uma nova classe de medicamentos à sua Lista de Medicamentos Essenciais: os fármacos GLP-1. Assim, essa inclusão, que também abrange tratamentos para fibrose cística e câncer, tem um objetivo claro: melhorar o acesso global a esses remédios, conhecidos por seus altos preços.
A Lista de Medicamentos Essenciais da OMS é um guia para sistemas de saúde em todo o mundo. A OMS acredita que esses medicamentos devem estar disponíveis para todos. Historicamente, a inclusão de um medicamento na lista ajudou a expandir o acesso em países mais pobres. Por exemplo, tratamentos para HIV se tornaram mais acessíveis no início dos anos 2000 após sua inclusão.
Ozempic e Mounjaro na lista da OMS
O comitê de especialistas da OMS incluiu os ingredientes ativos do Ozempic (Novo Nordisk) e do Mounjaro (Eli Lilly). Eles serão utilizados para tratar o diabetes tipo 2 em pacientes que também vivem com doenças cardiovasculares, doença renal crônica ou obesidade. Apesar da popularidade desses medicamentos para perda de peso, a OMS focou especificamente no tratamento do diabetes, oferecendo uma diretriz clara sobre quais pacientes mais se beneficiam deles.
O alto custo de medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida limita o acesso a esses remédios. A inclusão na lista pode encorajar a produção de versões genéricas. Assim que as patentes dos medicamentos expirarem, a produção de genéricos deve aumentar, o que ajudaria a diminuir os preços e, consequentemente, ampliar o acesso.
O impacto da decisão da OMS
Um porta-voz da Novo Nordisk garantiu que a empresa se compromete a apoiar um acesso mais amplo aos seus tratamentos. Enquanto isso, várias empresas já trabalham em cópias genéricas. Mais de 800 milhões de pessoas viviam com diabetes em 2022, segundo a OMS. Com mais de 1 bilhão de pessoas com obesidade, é fundamental garantir que tratamentos eficazes estejam disponíveis. A nova lista também incluiu a terapia combinada da Vertex Pharmaceuticals para fibrose cística, o Trikafta ou Kaftrio. Ativistas criticam há anos seu preço elevado e a falta de acessibilidade. Além disso, a OMS adicionou o Keytruda da MSD, um medicamento de imunoterapia contra o câncer. A organização também incluiu análogos de insulina de ação rápida, fabricados pela Novo Nordisk e Eli Lilly, para o tratamento de diabetes tipo 1, tipo 2 e gestacional.
