A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a venda de anéis que afirmam medir os níveis de glicose. A decisão veio após a agência constatar que o dispositivo não tem registro. Ele também não tem comprovação de eficácia. A medida visa proteger a saúde de milhares de pessoas com diabetes.
A popularidade de tecnologias que prometem facilitar a vida de quem tem diabetes é crescente. A promessa de uma medição sem dor e sem a necessidade de furar o dedo gerou grande interesse. No entanto, segundo a Anvisa, o anel não apresentou a segurança e a precisão necessárias. Além disso, sua comercialização sem a devida aprovação regulatória coloca os usuários em risco. Portanto, a proibição é uma medida preventiva essencial.
O que são e o que prometiam os anéis
Os anéis em questão são gadgets vestíveis que utilizam sensores, como de oxímetro, para supostamente coletar dados biométricos. Eles prometiam, por meio de algoritmos, transformar essas informações em medições de glicose, apresentando o resultado em um aplicativo de smartphone. A ideia por trás era revolucionar o monitoramento da glicose, substituindo os métodos tradicionais, como os glicosímetros de tiras de teste ou os monitores contínuos de glicose (MCGs) que precisam de um pequeno sensor implantado. Contudo, a tecnologia para medir a glicose de forma não invasiva, com a precisão exigida, ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento.
Posicionamento da SBD sobre o tema
A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) se pronunciou sobre o tema, apoiando a decisão da Anvisa. Em uma nota oficial, a entidade alerta os pacientes para que evitem estes produtos e continuem a realizar seus exames da maneira tradicional. A SBD ressalta que qualquer dispositivo de medição de glicose necessita de validação técnica, o que não é o caso de muitos gadgets que surgem no mercado, como relógios e, agora, o anel proibido. O Dr. Marcio Krakauer, coordenador do Departamento de Tecnologia, Saúde Digital e Inovação da SBD, em entrevista para a entidade, destacou a diferença entre a medição da glicose e outras métricas. Segundo ele, “Não é necessário agulha para medir a oxigenação e batimento cardíaco, mas, para medição da glicose, é necessário o sangue ou interstício“, afirmou o especialista.
Posicionamento de outras entidades pelo mundo
A preocupação com os anéis e relógios que prometem medir glicose de forma não invasiva não é exclusiva do Brasil. A agência americana Food and Drug Administration (FDA), uma das mais importantes do mundo, também emitiu um alerta. A FDA, que não autorizou, liberou ou aprovou qualquer smartwatch ou anel com essa finalidade, deixou claro em comunicado de segurança que esses dispositivos podem gerar medições imprecisas. A agência destaca que confiar em resultados falsos pode ter consequências “potencialmente devastadoras”, incluindo confusão mental, coma ou até mesmo a morte. Outras agências reguladoras, como a da Tailândia, também emitiram alertas semelhantes. A falta de aprovação por órgãos como a Anvisa e a FDA estabelece um padrão global, reforçando a mensagem de que a tecnologia não invasiva para medir glicose em dispositivos vestíveis ainda não é confiável.
Perigos de medições imprecisas
A confiança em leituras incorretas de glicose pode levar a erros graves na gestão do diabetes. Com base em um resultado falso, uma pessoa pode tomar uma dose errada de insulina ou não procurar ajuda médica a tempo. Por esta razão, o posicionamento da SBD é fundamental para orientar os pacientes. A entidade recomenda que as pessoas com diabetes evitem estes produtos e façam seus exames da forma tradicional. O Dr. Marcio Krakauer, em sua declaração para a SBD, orienta: “Em caso de dúvidas, fale com seu médico, muitos riscos estão envolvidos quando ocorre uma discrepância na medição da glicose”. A confiabilidade e a precisão das medições de glicose são cruciais para a segurança do paciente e para o controle eficaz do diabetes.
