No Dia do Maratonista, celebrado hoje, 7 de agosto, homenageamos não só os corredores apaixonados pelas longas distâncias. Mas também aqueles que, além da prova, enfrentam um desafio extra: o controle do diabetes.
Correr uma maratona já é, por si só, um feito de resistência física e mental. Agora imagine fazer isso monitorando a glicemia, ajustando doses de insulina, controlando a alimentação e lidando com os efeitos do diabetes tipo 1 ou tipo 2. Para alguns atletas, isso não é limitação é motivação.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), praticar atividades físicas regulares é um dos pilares do tratamento do diabetes, junto com alimentação adequada, monitoramento glicêmico e, em muitos casos, uso de medicamentos. A corrida, mesmo de longa distância, pode ser uma aliada no controle da glicemia, desde que seja praticada com acompanhamento e responsabilidade.
Conheça os maratonistas com diabetes
Emerson Bisan (Brasil) – 30 anos correndo com diabetes

Ultramaratonista e professor de educação física, Emerson Bisan convive com diabetes há quase três décadas.
Em junho de 2024, ele completou uma das provas mais desafiadoras do país: 64 km na Serra do Itatiaia, com 2.690 metros de altimetria, em 13h18.
Durante a corrida, perdeu o sensor de glicose no primeiro checkpoint e teve que confiar em sua experiência para controlar a glicemia manualmente — com sachês de carboidrato, bananinhas com açúcar, refrigerante e muita hidratação. Mesmo com o imprevisto, cruzou a linha de chegada com a glicemia controlada.
Um mês depois, em julho, enfrentou mais um desafio: a Ultramaratona dos Anjos, com 235 km em 48 horas.
“O esporte é como nosso gráfico de glicemia: um dia você ganha, outro perde, mas nunca deve desistir.”
Com mais de 100 maratonas e 85 ultramaratonas no currículo, Emerson mostra que resiliência, preparo e autoconhecimento são tão importantes quanto qualquer equipamento esportivo.
Sebastien Sasseville (Canadá) – ultramaratonista com diabetes tipo 1

Diagnosticado aos 22 anos, Sasseville não só continuou correndo como foi o primeiro canadense com diabetes tipo 1 a escalar o Everest e a completar a ultramaratona no deserto do Saara. Hoje, é palestrante e ativista da causa.
“Não quero ser definido pelo diabetes. Quero ser definido pelo que faço com ele.”
Dia do Maratonista: exercício e diabetes
A prática esportiva, principalmente em atividades aeróbicas como corrida, pode melhorar a sensibilidade à insulina e ajudar no controle glicêmico — principalmente no diabetes tipo 2. Já no tipo 1, os benefícios também são claros, mas os cuidados devem ser ainda mais rigorosos.
A SBD reforça que cada corpo reage de forma diferente ao exercício. Por isso, o acompanhamento médico especializado se torna essencial. A pessoa precisa monitorando a glicose (com sensores, por exemplo), ajustar a dose de insulina e planejar a alimentação de forma específica para os treinos e provas.
Estudos publicados no Diabetes Care, da American Diabetes Association, mostram que o uso de sensores de glicose contínua (CGM) ajuda a reduzir episódios de hipoglicemia durante exercícios em pessoas com diabetes tipo 1.