Muitas pessoas com diabetes acreditam que basta escolher um alimento sem açúcar para manter a glicose sob controle. No entanto, essa decisão, por si só, não garante um impacto positivo nos níveis de açúcar no sangue. A relação entre alimento sem açúcar e glicose envolve vários fatores que vão muito além da simples presença ou ausência de açúcar refinado.
Nem tudo é o que parece: o impacto real do alimento sem açúcar
Produtos industrializados com a inscrição “sem açúcar” costumam atrair quem tem diabetes. À primeira vista, eles parecem seguros. No entanto, isso pode ser um engano, especialmente quando o consumidor não observa o conteúdo total de carboidratos e o tamanho das porções.
Segundo a nutricionista Maristela Strufaldi, o maior erro está em achar que alimentos sem açúcar podem ser consumidos livremente.
“Não é porque é sem açúcar que não tem carboidrato. O carboidrato tem um impacto ali na glicemia, claramente“, afirmou.
Açúcar não é o único responsável pela alta na glicemia
A glicose no sangue responde ao total de carboidratos ingeridos, não apenas ao açúcar. Alimentos como bolos, pães, massas, frutas e cereais contêm diferentes tipos de carboidrato que afetam a glicemia. Mesmo que um produto esteja rotulado como “sem açúcar”, ele pode conter farinha branca, frutas ou adoçantes com efeito glicêmico, todos com potencial para elevar os níveis de glicose.
A nutricionista reforça essa explicação com um exemplo prático.
“Esse bolo de laranja é feito com açúcar, esse é feito sem açúcar. Os dois bolos têm farinha, que é uma fonte de carboidrato. Os dois têm laranja, que tem frutose, que é um tipo de carboidrato“, explicou.
Ou seja, o problema não está apenas no tipo de açúcar, mas também na quantidade total de carboidratos da receita.
Tamanho da porção importa (e muito)
Além da composição do alimento, o tamanho da porção consumida exerce grande influência sobre o controle glicêmico. Mesmo um bolo sem açúcar pode provocar picos de glicose se a fatia for muito grande. De acordo com Maristela, “ter ou não ter açúcar não é o que vai interferir no impacto glicêmico, mas sim o tamanho da fatia”.
Esse é um ponto frequentemente negligenciado. Muitas pessoas acham que, por ser um alimento sem açúcar, podem comer à vontade. Porém, essa escolha mal informada pode atrapalhar todo o planejamento alimentar da pessoa com diabetes.
Rótulos: aliados no controle da glicemia
Entender os rótulos, portanto, representa um passo essencial no controle da glicemia. Embora muitos alimentos tragam no rótulo a indicação “sem açúcar”, isso não significa necessariamente que eles sejam livres de impacto glicêmico. Na prática, diversos produtos utilizam adoçantes calóricos ou farinhas refinadas. Como resultado, esses ingredientes podem elevar os níveis de glicose no sangue de forma semelhante ao açúcar comum. Por isso, é fundamental analisar todos os ingredientes, e não apenas a presença ou ausência do açúcar tradicional.
Ao analisar um produto, é importante observar:
- A quantidade total de carboidratos por porção;
- Os ingredientes principais;
- O tipo de adoçante utilizado;
- O tamanho da porção recomendada pelo fabricante.
Maristela reforça a importância da educação nutricional. “Ainda existe essa questão: ‘ah, porque é sem açúcar, eu como à vontade’. E isso não é verdade“, alertou.
O papel do equilíbrio na alimentação
Evitar extremos e buscar o equilíbrio é a chave para lidar com a alimentação e o controle glicêmico. Segundo Maristela, informação correta e escolhas conscientes fazem toda a diferença no dia a dia.
“Desmistificar com informação é importante. Lembrando, pessoal, que equilíbrio é a palavra-chave”, completou a nutricionista.
Esse equilíbrio envolve conhecer os alimentos, entender suas composições, ajustar porções e manter uma rotina que respeite as necessidades de quem convive com o diabetes.
Dicas práticas para escolher melhor
Confira algumas orientações para consumir alimento sem açúcar e glicose de forma mais segura:
- Verifique a lista de ingredientes: observe se há farinhas refinadas, maltodextrina, glicose ou frutose;
- Analise os carboidratos totais: mesmo sem açúcar, o produto pode ter alto teor de carboidrato;
- Atenção às porções: evite exageros, mesmo em produtos com baixa caloria;
- Prefira alimentos naturais: frutas com baixo índice glicêmico, vegetais, oleaginosas e grãos integrais são boas opções;
- Tenha rotina com profissional: siga as orientações de uma equipe médica ou nutricional para montar cardápios equilibrados.
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