A hipoglicemia, que acontece quando os níveis de glicose no sangue caem demais, pode causar desorientação, tontura, visão turva e até perda de consciência. Em alguns casos, essas situações provocam acidentes graves. Foi o que aconteceu com a estudante de nutrição Isabella Rezende, de 24 anos, de Vitória da Conquista (BA), que convive com diabetes tipo 1 e quebrou o braço após um episódio de hipoglicemia em maio de 2023.
O relato de Isabella mostra como é importante falar sobre os perigos da hipoglicemia e diabetes, principalmente entre jovens que estão em fase de adaptação ao tratamento ou que enfrentam uma rotina corrida.
Queda aconteceu a caminho da faculdade
Na manhã do acidente, Isabella acordou atrasada para a faculdade. Ela preparou o café da manhã, mas decidiu comer depois que chegasse à aula. No entanto, ela alega que pode ter confundindo a insulina basal com a insulina rápida na pressa e saiu de casa. Pouco depois, no ponto de ônibus, a hipoglicemia deu o sinal mais sério. Ao tentar se levantar, tudo escureceu.
“Na hora que eu levantei, eu não tinha mais nada. Tela preta total”, conta Isabella.
Sem conseguir enxergar direito e já em estado de hipoglicemia, ela tentou se sentar novamente. Mas, desorientada, acabou errando o movimento e caiu. O ponto de ônibus onde ela estava tinha um desnível. A queda foi forte o suficiente para provocar a fratura do punho.
“Foi meio que aquela brincadeira de tirar a cadeira quando alguém vai sentar. Eu fui sentar, mas sentei no vazio.”
Após a queda, Isabella ainda foi para a aula
Mesmo com dor, ela conseguiu se levantar sozinha, entrou no ônibus e seguiu para a faculdade. No ponto seguinte, desceu e procurou uma farmácia para pedir ajuda. O atendente sugeriu que ela fosse diretamente para o hospital, onde ficou por mais de cinco horas aguardando atendimento com o ortopedista.
O ortopedista examinou o braço e deu o diagnóstico: fratura que exigia cirurgia. “Ele falou: isso é caso cirúrgico. Só o gesso não vai resolver.”
Isabella passou 45 dias com o braço imobilizado
Depois da cirurgia, Isabella passou por um período de 45 dias com o braço imobilizado. Em seguida, realizou 15 sessões de fisioterapia para recuperar os movimentos. Hoje, ela ainda sente algumas dores ao fazer exercícios na academia, mas segue com suas atividades normalmente.
Segundo ela, o caso serve de alerta para outros jovens com diabetes tipo 1.
“Esse vídeo é mais para alertar sobre o perigo de hipoglicemia e falar que a educação em diabetes é fundamental para você poder realizar os tratamentos, fazer ajustes necessários quando necessários.”
Hipoglicemia pode acontecer por diversos motivos
Quem vive com diabetes tipo 1, corre mais risco de enfrentar episódios de hipoglicemia. Isso pode acontecer por jejum prolongado, excesso de insulina, prática de exercícios sem ajuste da dose ou até por falhas na alimentação. No entanto, no caso de Isabella, ela não tem certeza do que causou a queda de glicose.
“Até hoje eu não sei exatamente o que aconteceu. Eu não sei se confundi a insulina basal com a insulina rápida ou se foi só uma hipoglicemia.”
Educação em diabetes ajuda a prevenir complicações
Para quem convive com a doença, é essencial entender como o corpo responde a cada tipo de insulina, como ajustar as doses e qual o momento ideal para se alimentar. Isso porque pequenas falhas, como pular uma refeição após aplicar insulina, podem gerar episódios de hipoglicemia grave.
O caso de Isabella reforça a importância de estratégias de prevenção. Isso inclui:
- Ter sempre um lanche rápido na bolsa;
- Monitorar a glicemia antes de sair de casa;
- Reconhecer sinais de hipoglicemia, como tremores, confusão e fraqueza;
- Buscar atendimento sempre que houver risco de lesões.
A história de Isabella mostra que conviver com diabetes vai além do uso da insulina. Além disso, é necessário planejamento, conhecimento e atenção ao próprio corpo. Mesmo ações rotineiras, como sair de casa em jejum, podem levar a consequências sérias.
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