Quando um bebê apresenta sede excessiva e começa a urinar com mais frequência, poucos pais imaginam que pode ser um sinal de algo mais grave. Mas foi justamente assim que a pedagoga Ângela Machado Moreno, de 30 anos, começou a perceber que algo não estava bem com seu filho Ravi Lucas, então com apenas um ano e dois meses. Moradora de Peabiru, no Paraná, ela viu sua vida mudar completamente no dia 16 de julho de 2024, quando recebeu o diagnóstico que nunca esperava: diabetes tipo 1.

“No início, parecia apenas um aumento na sede, mas ele começou a acordar de madrugada pedindo água e, proporcionalmente, a fralda não dava conta da quantidade de urina. Depois, ele ficou apático, dormia demais e recusava brincar com os primos. Até que um dia sua respiração ficou ofegante e ele simplesmente não conseguia mais andar. Naquele momento, soube que precisava agir.”, relembra Ângela.

Mesmo com a preocupação evidente, algumas pessoas ao redor minimizaram os sintomas, mas a intuição materna falou mais alto. No hospital, uma pediatra especializada em endocrinologia detectou um cheiro característico de acetona no hálito de Ravi e solicitou exames de glicemia. O resultado foi um choque: 540 mg/dL. Em estado de cetoacidose diabética, condição potencialmente fatal, o bebê foi imediatamente encaminhado para a UTI.
A nova realidade de Ravi com diabetes tipo 1
Foram três dias intensos na UTI e mais dez no quarto do hospital até que a glicose de Ravi estivesse estabilizada.
“Foi um período de muito aprendizado e adaptação. O diagnóstico nos pegou de surpresa e, de um dia para o outro, passamos a conviver com picadas, medições e aplicações de insulina.”, conta a mãe.

Com o tempo, Ângela e seu esposo, Carlos Cezar, de 35 anos, entenderam que o diabetes não seria um limitador na vida do filho. Pelo contrário, decidiram encarar o desafio com força e resiliência. Hoje, Ravi tem 1 ano e 11 meses e já se adaptou à nova rotina, que inclui monitoramento constante da glicemia e aplicações diárias de insulina.

“Usamos brincadeiras e histórias para tornar o tratamento mais leve. Criamos uma tabela de monitoramento personalizada, com desenhos e cores, para que ele cresça entendendo e participando do próprio cuidado.”, explica a mãe.
Uso do sensor e o desafio do acesso ao tratamento de diabetes
Atualmente, Ravi usa o sensor de glicose para facilitar o controle glicêmico, mas a realidade no Paraná ainda é desafiadora.
“O estado não fornece esse recurso, então entramos com uma ação judicial para garantir o acesso. Enquanto isso, compramos o sensor sempre que possível, pois ele faz muita diferença no controle do diabetes.”, conta Ângela.
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Além do sensor, Ravi faz uso de dois tipos de insulina: Glargina basal pela manhã e Humalog Lispro ultrarrápida antes das refeições, com doses ajustadas conforme a glicose.

“Seguimos um protocolo médico rigoroso, mas como ele ainda é pequeno, não fazemos um controle exato de carboidratos. Preferimos equilibrar a alimentação e respeitar seu apetite para evitar transtornos alimentares no futuro.”
Hipoglicemia e hiperglicemia que ficaram marcados
Ao longo dessa jornada, dois episódios deixaram marcas profundas na família. O primeiro foi uma hipoglicemia severa, ocorrida durante a internação.
“Mesmo com o ar-condicionado ligado, notei que Ravi suava muito e tinha pequenos espasmos enquanto dormia. Tentei amamentá-lo, mas ele não reagia. Quando medimos a glicemia, estava em 24 mg/dL. O desespero foi imediato. Tivemos que dar açúcar puro dissolvido em água até que ele finalmente estabilizasse. Foi um susto enorme, mas nos mostrou a importância de estarmos sempre atentos.”
O outro episódio aconteceu com uma hiperglicemia extrema.
“Antes do jantar, a glicemia estava em 88 mg/dL, então decidiram não aplicar insulina. Mas, às 22h, já tinha subido para 520 mg/dL. Fiquei apavorada, pois na noite anterior ele havia tido hipoglicemias graves. Nossa endocrinologista nos orientou a oferecer bastante água e estimular brincadeiras para ajudar a estabilizar os níveis naturalmente. Cada crise nos ensina algo novo sobre o diabetes e a importância de um acompanhamento contínuo.”
Um diagnóstico que não define futuro
Diante do desafio de criar um filho com diabetes tipo 1, Ângela e Carlos decidiram que não permitiriam que a condição limitasse a vida de Ravi.
“Desde o início, escolhemos transformar esse diagnóstico em uma oportunidade de aprendizado, amor e união. Nosso filho não é um coitadinho. Ele é forte, resiliente e aprenderá a lidar com isso da melhor forma possível.”
Com essa mentalidade, a família segue vencendo cada dia, um de cada vez, com esperança e determinação.
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“O diabetes tipo 1 exige cuidados constantes, mas não impede ninguém de viver uma vida plena e feliz. Queremos que Ravi cresça consciente do seu corpo, mas sem se sentir limitado. Acreditamos que ele pode ter uma infância como qualquer outra criança, com diversão, aprendizado e, claro, muito amor.”
Para outras famílias que passam pela mesma situação, Ângela deixa um conselho:
“Sejam firmes, busquem informações e não tenham medo de lutar pelo direito dos seus filhos. O caminho pode ser difícil, mas com amor e conhecimento, tudo se torna mais leve”.