O diagnóstico de diabetes pode ser um baque para qualquer tutor de pet. Entre dúvidas, medos e incertezas, a adaptação à nova rotina exige paciência, informação e, acima de tudo, muita dedicação. Esse foi o desafio enfrentado por Estela Padilha, moradora de Embu das Artes, e seu cãozinho Branco, um vira-lata de aproximadamente 10 anos que há um ano e meio recebeu o diagnóstico da doença.
Os primeiros sinais: sede excessiva e mudança de comportamento
Tudo começou com um comportamento inusitado: Branco passou a beber água de forma exagerada. “Acho que quintuplicou o consumo de água. Ele chegava a ficar até dois minutos parado na frente do filtro esperando mais”, conta Estela. O alerta a levou a procurar um veterinário e, após exames de sangue e urina, veio a confirmação: diabetes.
Os desafios iniciais e a adaptação à nova rotina
Receber a notícia foi assustador. Como aplicar insulina diariamente? Como controlar a glicemia sem um monitoramento preciso? No início, Estela tentou medir os níveis de glicose com tiras de teste e pequenas amostras de sangue, mas a tarefa era difícil.

“Tentei na orelha, na almofadinha da pata, até na mucosa da boca, mas quase sempre dava erro”, relembra. A falta de informações concretas e as orientações genéricas dos veterinários só aumentavam a insegurança.
Mas com o tempo, a adaptação veio. Branco passou a receber insulina duas vezes ao dia, sempre quatro horas antes das refeições. A alimentação também mudou completamente: a ração diabética ficou de lado, dando espaço para uma dieta natural, rica em proteínas e vegetais de baixo índice glicêmico.
“Quando ele comia ração, a glicemia disparava. Hoje, seguimos uma dieta low carb com bastante carne e legumes, e a batata yacon ajuda bastante”, explica.
O uso do sensor de glicose e ajustes na insulina
Foi ao descobrir o sensor de glicose Libre que Estela conseguiu entender melhor o comportamento da glicemia de Branco. “A vida mudou completamente. Pude observar como a glicemia reagia à alimentação, ao repouso e aos passeios”, relata. Mas mesmo com o sensor, o controle ainda não era perfeito.
Após muitos testes e seguindo seu instinto, Estela percebeu que a recomendação padrão de aplicar insulina de 12 em 12 horas não fazia sentido para a rotina de Branco. “Mudei o horário da dose da tarde para as 16h30, pois o pico da insulina ocorre cerca de quatro a cinco horas após a aplicação. Isso fez toda a diferença”, afirma.
Um único arrependimento: a catarata
Além disso, mesmo com os cuidados rigorosos, o tempo até acertar o tratamento cobrou um preço alto: Branco desenvolveu catarata em ambos os olhos. “Isso ainda me entristece muito. Estou pensando em operar, parece ser um procedimento simples, mas, claro, não sem riscos”, desabafa Estela.
Hoje, mesmo com a cegueira, Branco leva uma vida feliz e saudável. “A qualidade de vida é igualzinha. Meu único arrependimento foi não ter confiado no meu instinto mais cedo para prevenir a catarata”, conclui Estela.
O conselho para tutores que enfrentam o mesmo desafio
Para quem acabou de receber um diagnóstico de diabetes em seu pet, Estela tem um recado importante: “Muita calma. No começo parece impossível, mas logo tudo se torna rotina. Em um mês, você já estará expert.”

Ela também alerta para a importância de confiar nos próprios instintos e não seguir cegamente todas as recomendações veterinárias sem questionar. “O diabetes já é difícil de controlar em humanos, imagine em nossos bichinhos que não falam? Respire fundo, observe seu pet e faça os ajustes necessários. Vai dar certo.”
LEIA MAIS