Quando o assunto é diabetes, um dos primeiros alimentos a entrar na “lista dos proibidos” das pessoas é o pão francês. Mas será mesmo que ele precisa ser cortado da alimentação? Segundo a nutricionista Carol Netto, especialista em alimentação para pessoas com diabetes, o pãozinho não é o vilão que muitos imaginam.
Na verdade, ele pode, sim, fazer parte do cardápio. Desde que seja consumido com consciência e equilíbrio.
O que importa é o carboidrato e a quantidade
Um pão francês tem, em média, 28 gramas de carboidrato. O carboidrato é o principal nutriente que impacta nos níveis de glicose no sangue. Só que o ponto central aqui não é proibir: é saber quanto você está consumindo.
Se compararmos, 28 gramas de carboidrato equivalem a:
- 6 bolachas de água e sal;
- 3 colheres de sopa de aveia;
- 2 fatias de pão de forma integral (aproximadamente).
O que muita gente faz é trocar o pão por outro alimento achando que está “economizando carboidrato”. Mas aí, ao invés de 6 bolachas, come o pacote inteiro. E aí, claro, o consumo de carboidrato fica muito maior.
Índice glicêmico: o impacto no sangue
Além da quantidade de carboidrato, também existe a questão do índice glicêmico, que é a velocidade com que o carboidrato vira glicose no sangue.
Segundo a nutricionista, o pão francês é um carboidrato de absorção rápida. Ou seja, ele eleva a glicose mais depressa. Isso não quer dizer que é proibido, apenas que é importante saber como o seu corpo reage a ele. E essa resposta pode mudar de pessoa para pessoa.
Torrar o pão muda alguma coisa? Muda, sim!
Muita gente acredita que ao torrar o pão está deixando ele “mais leve” ou “mais saudável”. Mas é o contrário. Ao torrar o pão francês, você aumenta o índice glicêmico dele. Isso significa que o carboidrato vai ser absorvido ainda mais rápido, elevando a glicemia com mais velocidade.
A nutricionista explica que o organismo consegue acessar mais facilmente o carboidrato depois que ele passa por um processo semelhante ao de “caramelização”. E, por isso, mais potente no efeito sobre a glicose
A culpa não é do pão! É do excesso
O problema não é comer um pãozinho francês. É comer três, quatro, cinco de uma vez. Isso vale para qualquer alimento fonte de carboidrato. Quando há exagero, a glicemia descompensa com pão, bolacha ou arroz.
A recomendação, segundo Carol, é simples: coma com moderação e consciência. Um pãozinho com requeijão ou manteiga, dentro de um plano alimentar equilibrado, pode ser parte de uma alimentação saudável para quem vive com diabetes.
Pão francês pode sim!
Vamos deixar claro: pão francês pode fazer parte da alimentação de quem tem diabetes. O segredo está em:
- Observar a quantidade de carboidrato;
- Prestar atenção no índice glicêmico;
- Monitorar a glicose com frequência;
- Equilibrar com outros alimentos saudáveis;
- Evitar exageros.