Um vídeo viral nas redes sociais mostra a rotina da Gaia, cadela da raça rottweiler diagnosticada com diabetes tipo 1. A tutora, Lara Alice, detalha como mede a glicemia, aplica insulina e acompanha alimentação e comportamento, destacando a calma da cadela durante todos os procedimentos. A gravação demonstra adaptação e cooperação do animal, facilitando o manejo diário da doença.
Diagnóstico e primeiros sinais
A Gaia foi diagnosticada em 2022, aos 1 ano e 8 meses. Lara Alice percebeu sinais semelhantes aos do diabetes humano: urina em excesso, urina com presença de glicose (“formiga no xixi”), muita sede, perda de peso e alterações de comportamento. A cadela colava nos objetos e demonstrava nervosismo constante.

A situação se agravou quando a Gaia chegou à clínica com hiperglicemia severa, glicose em 680 mg/dL, próxima de entrar em cetoacidose diabética, condição que pode ser fatal. A intervenção médica imediata permitiu reverter a situação a tempo.
Em agosto de 2025, a Gaia enfrentou uma crise de hipoglicemia, que resultou em convulsão. A intervenção rápida evitou complicações graves. Desde então, ela mantém acompanhamento regular com nefrologista, endocrinologista e clínico geral. Embora a glicemia oscile, a cadela se mantém estável e responde bem ao tratamento.
Rotina de tratamento
O tratamento da Gaia envolve aplicação de insulina NPH, usada também em humanos, a cada 12 horas: 16 unidades pela manhã e 14 à noite. Lara Alice mede a glicemia da cadela de 12 em 12 horas, observando mudanças de comportamento como cansaço ou desânimo, que podem indicar alteração nos níveis de glicose.

O vídeo viral evidencia a calma da Gaia durante a aferição da glicemia e a aplicação da insulina. Essa cooperação do animal facilita o manejo diário da doença, mostrando a importância da adaptação à rotina de tratamento.
Alimentação e exercícios
A alimentação da Gaia segue dieta específica para cães diabéticos, controlada em carboidratos e rica em fibras. Rações das marcas Royal Canin e VetLife são utilizadas para auxiliar na estabilização da glicemia. Lara Alice monitora a ingestão alimentar, garantindo que a dieta seja seguida corretamente.

A prática de exercícios regulares contribui para o controle do peso e ajuda a manter a glicemia estável. Até situações simples, como passeios ou pequenas mudanças na rotina, podem alterar os níveis de glicose, exigindo atenção constante da tutora.
Condição do diabetes em cães
A veterinária Lucilla Montero explica que o tipo mais comum de diabetes em cães é o insulinodependente, equivalente ao tipo 1 em humanos, quando o pâncreas não produz insulina suficiente.
O tipo 2 é menos frequente e está relacionado à obesidade e resistência à insulina, enquanto o tipo 3 ocorre por fatores externos, como doenças pancreáticas ou medicamentos que interferem na produção ou utilização da insulina.
Algumas raças, como Poodles e Dachshunds, têm maior predisposição genética. Idade avançada, obesidade e doenças pancreáticas aumentam o risco de desenvolver diabetes. Desequilíbrios hormonais, como os causados pela síndrome de Cushing, também podem afetar a produção de insulina.
O diagnóstico é realizado por exames de sangue e urina, que medem os níveis de glicose. Após a confirmação, o tratamento envolve aplicação diária de insulina, dieta específica, exercícios e acompanhamento veterinário regular.
Evidências e limitações
A causa do diabetes da Gaia ainda é desconhecida. Nenhum dos irmãos da mesma ninhada desenvolveu a doença, indicando que fatores genéticos ou ambientais específicos podem ter atuado isoladamente. O controle da glicemia em animais apresenta desafios adicionais, já que eles não comunicam sintomas com precisão. Até situações simples, como passeios ou estresse, podem alterar os níveis de glicose.
Cuidados diários e monitoramento constante
Lara Alice garante que a aplicação de insulina, aferição da glicemia e monitoramento da alimentação são realizados com disciplina. Qualquer alteração no comportamento da Gaia é imediatamente verificada. A cooperação da cadela facilita o manejo do diabetes, permitindo que os procedimentos sejam feitos de forma segura e sem resistência.
O vídeo mostra que a cadela permanece tranquila durante cada etapa do tratamento, evidenciando a importância da adaptação do animal à rotina. O monitoramento contínuo, aliado à alimentação controlada e à atividade física, é essencial para manter a glicemia estável e prevenir complicações como hipoglicemia ou hiperglicemia severa.