Será que todo diabetes tipo 1 se apresenta da mesma forma ao longo da vida? Nos últimos anos, essa dúvida ganhou espaço em consultórios e discussões científicas. Nesse contexto, a expressão diabetes tipo 1.5 passou a ser usada para explicar situações em que o organismo perde a capacidade de produzir insulina e, ao mesmo tempo, desenvolve resistência à sua ação.
O que se chama de diabetes tipo 1.5
O diabetes tipo 1.5 não define um diagnóstico oficial nos sistemas de classificação. Ainda assim, médicos utilizam o termo para facilitar a comunicação sobre quadros específicos, principalmente em adultos.
Na prática clínica, o termo costuma se referir a pessoas que:
- apresentam diabetes autoimune, confirmado por autoanticorpos;
- mantêm produção parcial de insulina no início;
- desenvolvem resistência à insulina, característica mais comum do diabetes tipo 2.
Portanto, o diabetes tipo 1.5 descreve uma combinação de mecanismos já conhecidos, e não uma nova doença.
Diabetes tipo 1.5 e LADA: qual é a relação
Muitos profissionais usam o termo diabetes tipo 1.5 para explicar o LADA, sigla em inglês para Latent Autoimmune Diabetes in Adults. No entanto, as diretrizes deixam claro que LADA faz parte do espectro do diabetes autoimune.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes e a American Diabetes Association, o LADA se caracteriza por:
- início na vida adulta;
- presença de autoanticorpos;
- progressão mais lenta da falência das células beta do pâncreas.
Ao mesmo tempo, parte dessas pessoas desenvolve resistência à insulina, o que ajuda a explicar o uso do termo diabetes tipo 1.5 fora do ambiente acadêmico.
Quando o diabetes autoimune se associa à resistência à insulina
Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, esse tipo de apresentação clínica não é raro.
“Existe um diabetes que a gente chama de diabetes tipo 1,5, ou um diabetes tipo 1 com um quadro clínico que lembra alguém que tem diabetes tipo 2, associado à resistência insulínica”, explica.
Em geral, esse cenário aparece em pessoas que:
- convivem com obesidade ou ganho de peso;
- têm histórico familiar de diabetes tipo 2;
- apresentam sinais de síndrome metabólica.
Por que reconhecer o diabetes tipo 1.5 muda o cuidado
Identificar a resistência à insulina em pessoas com diabetes autoimune faz diferença no tratamento. Nesse sentido, focar apenas na reposição de insulina pode não ser suficiente para alcançar bom controle glicêmico.
“A gente pode tratar como diabetes tipo 1, mas precisa ficar atento se existe resistência insulínica associada”, alerta Denise Franco.
Quando os profissionais reconhecem esse componente, o cuidado costuma incluir:
- plano alimentar individualizado;
- incentivo regular à atividade física;
- estratégias para controle do peso;
- atenção aos fatores de risco cardiovascular.
Assim, o tratamento se torna mais completo e ajustado à realidade do paciente.
Diabetes tipo 1.5 existe como diagnóstico oficial?
Do ponto de vista institucional, o esclarecimento é direto:
- diabetes tipo 1.5 não aparece no CID;
- o termo não define um tipo formal de diabetes;
- ele funciona como uma descrição clínica e didática.
A International Diabetes Federation reconhece a coexistência de mecanismos autoimunes e metabólicos. No entanto, a entidade não classifica o diabetes tipo 1.5 como diagnóstico independente.
O que o paciente deve fazer diante dessa suspeita
Quando a pessoa com diabetes enfrenta dificuldade persistente no controle da glicemia, ela deve buscar avaliação especializada. Por outro lado, adotar rótulos sem orientação médica pode atrapalhar o tratamento.
“Se você tem dúvida, converse com seu médico”, orienta a endocrinologista.
Cada pessoa vive o diabetes de forma diferente. Por isso, o plano terapêutico precisa considerar o tipo de diabetes, o metabolismo e o estilo de vida.
