Hoje, 8 de agosto, é o Dia Internacional do Gato. A data, criada em 2002 pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal, tem um objetivo simples, mas essencial: lembrar que eles não são apenas independentes e charmosos também são vulneráveis. E sim, pode haver diabetes em gatos.
O diabetes mellitus felino, embora ainda pouco conhecido entre os tutores, é uma condição real, progressiva e que exige dedicação. Mas, com diagnóstico precoce, tratamento adequado e vínculo com o veterinário, os gatos podem levar uma vida longa e estável.
Diabetes em gatos: o que é e como se manifesta
A endocrinologista veterinária Sofia Borin Crivellenti, professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e especialista em clínica médica e endocrinologia de pequenos animais, explica que o diabetes mellitus é uma das principais doenças hormonais que afetam cães e gatos. Nos felinos, o tipo mais comum é o tipo 2 semelhante ao diabetes tipo 2 em humanos.
“Nesse tipo de diabetes, o pâncreas ainda produz insulina, mas o organismo do gato tem dificuldade de utilizá-la, seja por resistência insulínica, seja por falhas no metabolismo”, afirma. Em outras palavras, o corpo do animal não responde como deveria, e os níveis de glicose no sangue se mantêm elevados, gerando uma série de complicações ao longo do tempo.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- aumento da sede e da urina;
- perda de peso, mesmo com apetite normal ou aumentado;
- letargia;
- e, em alguns casos, um modo diferente de caminhar, conhecido como “andar plantígrado”, em que o gato apoia os calcanhares no chão.
O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue e urina, que identificam hiperglicemia (alta concentração de glicose no sangue) e glicosúria (glicose na urina).
Existe controle do diabetes em gatos. E, em alguns casos, remissão.
De acordo com Sofia Crivellenti, a boa notícia é que, diferentemente dos cães, gatos com diabetes tipo 2 têm chance de entrar em remissão ou seja, deixar de precisar da insulina por um período, desde que o controle glicêmico seja iniciado rapidamente e que os fatores de risco (como obesidade ou sedentarismo) sejam eliminados.
Mas remissão não é cura. O diabetes felino é uma condição crônica, e os cuidados precisam ser contínuos, mesmo nos períodos de estabilidade.
Tratamento em gatos: exige rotina, mas traz resultado
O tratamento padrão envolve a administração de insulina (em geral, duas vezes ao dia), dieta específica formulada para diabéticos e monitoramento frequente da glicose.
Existem duas formas principais de controle glicêmico:
- o uso de glicosímetros (medindo o sangue com pequenas punções);
- ou a adoção de sensores contínuos, como o Freestyle Libre, que já vem sendo utilizado em gatos com sucesso em clínicas especializadas.
A frequência e o tipo de monitoramento variam de acordo com o perfil do animal e o tipo de insulina utilizada, sempre com acompanhamento veterinário.
Além disso, o controle de peso e a estimulação física fazem parte do protocolo. “Para cães é mais fácil caminhadas diárias já ajudam. Com gatos, é preciso criatividade: brinquedos interativos, circuitos pela casa, estímulos para subir e explorar ajudam muito no gasto energético e no controle metabólico”, orienta a especialista. A UFU, inclusive, mantém o perfil @cuidadosparagatos com dicas práticas para tutores.
O caso do gato Adonis: um vídeo, uma seringa e milhões de pessoas impactadas

Em janeiro, o Um Diabético compartilhou a história de Adonis, um gato laranja diagnosticado com diabetes em 2023, enquanto vivia com sua tutora, Roxy Vélez, no Equador. O que parecia ser mais um relato de rotina virou fenômeno nas redes sociais: um vídeo de Roxy aplicando insulina no animal viralizou, com milhões de visualizações no Instagram.
No vídeo, Roxy aparece conversando com Adonis com ternura e calma: “Ok, fizemos o teste e agora você tem sua insulina, ok?”. O gesto é técnico, mas a cena é pura conexão emocional. Para além da fofura, o vídeo expôs a realidade de quem convive com uma doença crônica e reforçou a importância da presença e da paciência no cuidado.
“Quero que as pessoas saibam que o diagnóstico de diabetes não é uma sentença de morte. Nem para nós, humanos, nem para os nossos bichos. Dá trabalho, mas é possível. E é bonito quando feito com amor”, disse Roxy em entrevista ao portal.
Desde então, ela passou a compartilhar mais sobre sua rotina com Adonis, ajudando outros tutores por meio de grupos de apoio online e redes sociais.
Causas, prevenção e os maiores desafios dos tutores
As causas mais frequentes do diabetes tipo 2 felino estão ligadas ao estilo de vida: obesidade, idade avançada e sedentarismo. Já o diabetes tipo 1 (mais comum em cães) tem origem autoimune, e o tipo 3 está relacionado a outras doenças hormonais, como acromegalia ou síndrome de Cushing.
Na prática, o maior desafio não é só entender o diagnóstico, mas sustentar o cuidado ao longo dos anos. Segundo a Dra. Sofia Crivellenti, o tratamento é viável, mas exige:
- tempo para aplicar insulina todos os dias;
- recurso financeiro para exames e alimentação especial;
- e equilíbrio emocional para lidar com uma rotina que nem sempre é fácil.
“É comum os tutores sentirem culpa, medo, insegurança. Mas com o apoio certo, esses sentimentos se transformam em confiança e parceria. A relação com o animal, inclusive, se aprofunda. É uma troca”, afirma.
Complicações: o que acontece quando não há controle?
A principal complicação do diabetes felino descompensado é a cetoacidose diabética uma emergência grave, que pode levar o animal ao coma ou à morte. Ela ocorre quando, na falta de insulina, o organismo começa a queimar gordura de forma descontrolada, produzindo corpos cetônicos que acidificam o sangue.
Os sinais incluem vômitos, apatia, hálito com cheiro de acetona, perda de apetite e fraqueza intensa. A única forma de prevenir é manter o tratamento em dia, com revisões periódicas e atenção aos sinais precoces.
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