O Brasil participa pela 1ª vez de estudos globais que investigam como preservar as células beta, responsáveis pela produção natural de insulina em pessoas com diabetes tipo 1.
Até agora, havia apenas iniciativas isoladas de centros de pesquisa. A novidade é a entrada do país em grandes ensaios clínicos internacionais, com protocolos unificados e maior diversidade de participantes.
O que significa preservar células beta
No diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói as células beta do pâncreas, até que o paciente precise iniciar o tratamento com insulina injetável.
Preservar parte dessas células, mesmo que em pequena quantidade, pode reduzir a variação da glicemia, facilitar o manejo da doença e diminuir complicações relacionadas ao diabetes tipo 1.
A endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, uma das coordenadoras dos estudos no Brasil, explicou no DiabetesCast que essa estratégia pode mudar a qualidade de vida dos pacientes.
“Se conseguimos manter a produção natural de insulina, o tratamento se torna menos desgastante, com menos hipoglicemias e mais estabilidade da glicose no dia a dia”, afirmou.
Estudos com voluntários
Os ensaios clínicos envolvem pacientes recém-diagnosticados, em fases iniciais do diabetes tipo 1, que ainda produzem insulina. A busca por voluntários que atendam aos critérios já está em andamento.
Entre os centros participantes está o Cpclin, em São Paulo. Por questões éticas, detalhes dos protocolos não podem ser divulgados, mas ao menos 1 estudo já está em andamento.
Movimento global
Essa linha de pesquisa avança no mundo. Nos Estados Unidos, a FDA aprovou o teplizumabe, 1ª imunoterapia capaz de retardar o início do diabetes tipo 1 em pessoas de risco.
Além disso, outros ensaios clínicos avaliam terapias capazes de reduzir a inflamação e retardar a destruição das células beta. Dessa forma, aumentam a esperança para pacientes recém-diagnosticados.
Brasil integra o cenário
Segundo Denise Franco, esse é um marco histórico. “Antes, quem queria participar desses estudos precisava viajar para os Estados Unidos. Agora, o Brasil integra oficialmente esse cenário global”, destacou.
Esperança com responsabilidade
Apesar dos avanços, os pesquisadores reforçam que não se trata de cura. A insulina segue sendo Apesar dos avanços, os pesquisadores reforçam que ainda não se trata de cura. Portanto, a insulina continua sendo indispensável para quem convive com o diabetes tipo 1.
Nesse sentido, o objetivo dos estudos é oferecer recursos que prolonguem a produção natural de insulina e, consequentemente, tragam mais qualidade de vida a milhares de pessoas.
O objetivo é oferecer recursos que prolonguem a produção natural de insulina e tragam mais qualidade de vida a milhares de pessoas.
