Nesta sexta-feira, 21 de março, o mundo todo celebra o Dia Internacional da Síndrome de Down, uma data criada para promover a inclusão, combater o preconceito e reforçar os direitos das pessoas com essa condição genética. No Brasil, diversas ações marcam o dia em escolas, instituições de saúde e redes sociais, mas, além da celebração, especialistas alertam para um ponto crítico de saúde pública: o risco aumentado de diabetes em crianças com síndrome de Down.
Embora o foco quase sempre fique nas características físicas ou cognitivas, uma verdade importante precisa ser dita! Essas crianças têm quatro vezes mais chances de desenvolver diabetes tipo 1 do que a média da população infantil. E, o que é ainda mais preocupante, isso pode acontecer ainda criança.
Diabetes em crianças com síndrome de Down
Em primeiro lugar, é essencial entender que nem toda criança com síndrome de Down terá diabetes. Mas o risco é significativamente maior e já começa a chamar atenção de pediatras e endocrinologistas ao redor do mundo. De acordo com o Movimento Down, uma em cada 60 crianças com a trissomia pode desenvolver a doença. A principal suspeita está na combinação de fatores genéticos e imunológicos que tornam o organismo dessas crianças mais vulnerável a doenças autoimunes. Entre elas, o diabetes tipo 1, que atinge o pâncreas e afeta a produção de insulina.
Além disso, as alterações na tireoide, que são comuns na síndrome de Down, também podem interferir no metabolismo da glicose, aumentando o risco de controle mais difícil. Por isso, o acompanhamento médico regular e especializado se torna ainda mais necessário desde os primeiros meses de vida.
Diagnóstico precoce de diabetes salva vidas e melhora a qualidade de vida
Outro ponto crucial é que o diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quando o diabetes é identificado cedo, é possível iniciar o tratamento rapidamente, evitando complicações como desidratação, cetoacidose e até internações prolongadas. E, mais do que isso, a família consegue se preparar melhor para lidar com a nova rotina: alimentação regrada, controle glicêmico diário, uso de insulina e visitas constantes ao endocrinologista.
Por isso, a recomendação é clara: mesmo que o exame ainda não esteja confirmado, se houver suspeita de síndrome de Down, os bebês devem ser encaminhados imediatamente para estimulação precoce e acompanhamento multiprofissional. Nessa fase, os exames laboratoriais também podem identificar precocemente alterações no açúcar no sangue ou nos hormônios da tireoide.
O papel da família
Viver com uma criança com síndrome de Down exige, sim, uma série de cuidados médicos, emocionais e sociais. No entanto, quanto mais cedo a família tem acesso a informação, mais chances ela tem de encontrar caminhos e apoio para superar os desafios. Muitos pais relatam que o primeiro impacto do diagnóstico vem com medo e insegurança, mas, com acolhimento, orientação e acompanhamento, logo a rotina se encaixa.
É nesse contexto que o apoio psicológico e emocional à família se torna indispensável. Além disso, é fundamental que os responsáveis saibam dos direitos garantidos por lei às pessoas com deficiência, como o passe livre no transporte público, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do INSS e o acesso à educação inclusiva de qualidade.
Saúde integral: muito além do diabetes
Apesar do destaque ao diabetes, as crianças com síndrome de Down também precisam de atenção especial para outras condições, como malformações cardíacas, problemas de visão e audição, anormalidades no sistema gastrointestinal, apneia do sono e infecções respiratórias frequentes. Cada uma dessas condições exige diagnósticos e tratamentos específicos, mas o acompanhamento contínuo e multiprofissional é o fio condutor que une todos esses cuidados.
Além disso, a obesidade é outra preocupação crescente, já que ela pode agravar ainda mais o risco de diabetes e comprometer a qualidade de vida da criança. Por isso, uma alimentação saudável desde cedo, aliada a atividades físicas regulares (dentro das possibilidades de cada criança), deve ser prioridade na rotina da família.
Uma data para celebrar a vida
O Dia Internacional da Síndrome de Down não é apenas um convite para comemorar a diversidade, mas também para olhar com mais empatia e responsabilidade para as demandas de saúde que envolvem essa população. O diabetes, embora ainda pouco discutido nesse contexto, é uma realidade que precisa de visibilidade, orientação e acolhimento.
Ao dar luz a essa questão, a data ganha ainda mais força. Porque garantir qualidade de vida a uma criança com síndrome de Down não é só tarefa da família, mas de toda a sociedade: das escolas, dos serviços de saúde, das políticas públicas e do olhar humano de cada um de nós. Afinal, quando o cuidado começa cedo, as possibilidades se multiplicam. E a vida segue com mais saúde!