As chuvas que atingiram Juiz de Fora e outras cidades da Zona da Mata mineira deixaram um cenário de destruição, desabrigados e serviços públicos afetados. No entanto, para quem vive com diabetes, o impacto pode ser ainda mais delicado: a perda da insulina e dos insumos essenciais para o controle glicêmico.

Diante dessa realidade, o fotógrafo Alfredo Ferreira de Souza, 43 anos, que convive com diabetes tipo 1, criou uma campanha de doação de insulina em Juiz de Fora voltada não apenas à cidade, mas também aos municípios vizinhos atingidos pelas enchentes.
“Não pensei só em Juiz de Fora. Já sabemos que há cidades próximas que também foram afetadas e precisam de ajuda”, afirma.
Campanha atende cidades mais afetadas
Entre os municípios impactados está Ubá, uma das cidades mais atingidas pelas chuvas na região. Segundo relatos locais, a farmácia responsável pela distribuição de medicamentos e insumos para diabetes foi atingida, e o fornecimento ficou comprometido.
Nesse contexto, a reposição rápida de insulina e materiais de monitorização se torna ainda mais urgente. Enquanto o sistema público reorganiza a estrutura, pessoas com diabetes não podem interromper o tratamento.
Por isso, a campanha organizada por Alfredo passou a mapear não apenas moradores de Juiz de Fora, mas também pessoas de cidades como Ubá, Cataguases e Matias Barbosa.
Mapeamento organiza a distribuição e evita desperdício
Desde o início, Alfredo percebeu que era necessário mais do que arrecadar. Portanto, estruturou um formulário para mapear as necessidades reais das pessoas com diabetes atingidas pelas enchentes.
No levantamento, são coletadas informações como cidade, bairro, tipo de diabetes e quais insumos foram perdidos. Além disso, o formulário identifica situações de maior urgência, como quem está completamente sem insulina.
“As respostas são compartilhadas com quem está fazendo as arrecadações para que a gente consiga direcionar corretamente”, explica.
Esse mapeamento permite organizar as entregas por região. Enquanto as doações chegam, a equipe separa os insumos conforme a necessidade específica de cada pessoa. Dessa forma, reduz-se o risco de enviar materiais inadequados ou insuficientes.
Apoio institucional fortalece a logística

A mobilização conta com apoio do Instituto Tipo 1, de Belo Horizonte. A estratégia definida foi centralizar as doações em Juiz de Fora e organizar uma equipe de voluntários para realizar a distribuição nas cidades mapeadas.
Segundo Luciana Mourão, presidente do instituto, voluntários já estão mobilizados para garantir que os insumos cheguem diretamente às pessoas cadastradas. Além disso, a instituição oferece suporte logístico para transporte e organização regional.
Essa estrutura é essencial porque insulina exige armazenamento adequado. Portanto, não basta doar. É preciso garantir que o medicamento chegue em condições seguras.
Interrupção da insulina pode gerar emergência médica
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a interrupção da insulina em pessoas com diabetes tipo 1 pode levar à cetoacidose diabética, uma complicação aguda que pode exigir internação hospitalar.
Além disso, o estresse físico e emocional provocado por desastres naturais tende a elevar os níveis de glicose. Nesse cenário, o risco de descompensação aumenta.
Enquanto isso, a Força Nacional do SUS atua na região reforçando o atendimento às demandas gerais de saúde. No entanto, a reposição específica de determinados tipos de insulina ou tecnologias de monitoramento pode levar mais tempo.