Pele ressecada, aspecto opaco e maior sensibilidade são queixas frequentes entre pessoas com diabetes. No entanto, a desidratação cutânea vai além da falta de cremes ou da ingestão de água.
Durante a entrevista, o dermatologista Felipe Ribeiro explica que a pele depende de um sistema vascular íntegro para manter a hidratação adequada.
“A pele precisa de água para funcionar, mas essa água chega por meio dos vasos. No diabetes, esses vasos não funcionam de forma adequada”, afirma.
Nesse contexto, mesmo com ingestão hídrica adequada, a pele pode permanecer desidratada. Isso ocorre porque a circulação comprometida dificulta a chegada de água e nutrientes às camadas cutâneas.
Diabetes, vasos sanguíneos e perda de água
O diabetes pode causar alterações nos pequenos vasos sanguíneos ao longo do tempo. Essas mudanças reduzem a eficiência da troca de líquidos nos tecidos.
Além disso, a glicose elevada favorece a perda de água pela pele. Esse processo contribui para ressecamento, descamação e sensação de repuxamento.
Segundo Felipe Ribeiro, “a pele da pessoa com diabetes perde mais água e recebe menos água”. Como resultado, o envelhecimento cutâneo tende a ser acelerado.
Impactos práticos e limites do cuidado tópico
A desidratação crônica da pele está associada a maior fragilidade, coceira e risco de lesões. Portanto, o cuidado com a pele precisa ir além do uso de hidratantes.
Diretrizes médicas reforçam que o controle glicêmico é a base para preservar a saúde da pele. Cremes ajudam, porém não corrigem o problema metabólico.
Ainda assim, especialistas destacam limitações. A resposta da pele varia entre indivíduos e depende do tempo de doença, idade e outros fatores associados.