O cuidado com o diabetes começa perto de casa
Para quem vive com diabetes, o tratamento não acontece apenas em consultas pontuais ou em hospitais. Na maior parte do tempo, ele acontece perto de casa, no posto de saúde. Ainda assim, muitas pessoas não sabem exatamente quais medicamentos podem retirar ali nem como esse acesso funciona na prática.
Nesse contexto, a falta de informação costuma gerar atrasos na retirada dos remédios e, em alguns casos, interrupções no tratamento. Por isso, entender o papel do posto de saúde é essencial para manter o cuidado em dia.
O que é o posto de saúde e o que significa Atenção Primária
O posto de saúde, oficialmente chamado de Unidade Básica de Saúde (UBS), integra a chamada Atenção Primária à Saúde. Em termos simples, Atenção Primária significa o primeiro lugar onde a pessoa procura o SUS para cuidar da saúde.
É nesse nível de atenção que o Sistema Único de Saúde organiza:
- consultas médicas e de enfermagem,
- acompanhamento de doenças crônicas, como o diabetes,
- solicitação de exames,
- encaminhamentos para especialistas,
- retirada regular de medicamentos e insumos.
Ou seja, a Atenção Primária funciona como a porta de entrada e o principal ponto de acompanhamento contínuo no SUS.
Por que o posto de saúde é central no tratamento do diabetes
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a maior parte das pessoas com diabetes tipo 2 e uma parcela significativa das pessoas com diabetes tipo 1 pode receber acompanhamento regular no posto de saúde.
Além disso, o vínculo com a equipe facilita ajustes no tratamento, orientações sobre o uso correto dos medicamentos e identificação precoce de complicações. Portanto, o posto de saúde não é um serviço secundário, mas a base do cuidado em diabetes dentro do SUS.
Quais medicamentos para diabetes estão disponíveis no posto de saúde
De acordo com a Diretriz SBD 2025 – Dispensação de medicamentos e insumos para o tratamento do diabetes mellitus no SUS, os medicamentos oferecidos no posto de saúde fazem parte do Componente Básico da Assistência Farmacêutica, voltado aos problemas de saúde mais frequentes da população.
Medicamentos orais
Nos postos de saúde, as pessoas com diabetes podem retirar:
- Cloridrato de metformina 500 mg e 850 mg
- Glibenclamida 5 mg
- Gliclazida 30 mg e 60 mg
A metformina costuma ser a primeira escolha no tratamento do diabetes tipo 2, pois melhora a ação da insulina no organismo. Por outro lado, a glibenclamida e a gliclazida estimulam a produção de insulina e exigem acompanhamento mais próximo, já que podem causar hipoglicemia.
Insulinas que o posto de saúde oferece
O posto de saúde também garante acesso às insulinas humanas:
- Insulina humana NPH 100 UI/mL, em frasco de 10 mL ou caneta com tubete de 3 mL
- Insulina humana regular 100 UI/mL, em frasco de 10 mL ou caneta com tubete de 3 mL
Essas insulinas atendem tanto pessoas com diabetes tipo 1 quanto aquelas com diabetes tipo 2 que precisam iniciar ou intensificar a insulinoterapia. Nesse sentido, a Diretriz SBD 2025 explica que o Ministério da Saúde centraliza a compra dessas insulinas, o que garante a distribuição nacional.
Além dos medicamentos: quais insumos estão disponíveis
Para quem usa insulina, o posto de saúde também fornece insumos essenciais ao tratamento, como:
- Tiras reagentes para medir a glicemia capilar
- Lancetas para punção digital
- Seringas com agulha acoplada para aplicação de insulina
- Glicosímetros e lancetadores, geralmente em regime de comodato
A legislação garante esses insumos às pessoas em uso de insulina. No entanto, estados e municípios podem definir quantidades mensais diferentes, conforme seus protocolos locais.
Como retirar os medicamentos no posto de saúde
Na prática, o acesso acontece na farmácia do próprio posto de saúde ou em polos municipais de dispensação. Para retirar os medicamentos, o paciente precisa apresentar:
- Receita médica válida, da rede pública ou privada
- Cartão Nacional de Saúde ou cadastro municipal
- Documento oficial com foto
A receita deve estar legível e trazer o nome do medicamento pelo princípio ativo, a dosagem, a data, a assinatura e o número do CRM do médico. Assim, mesmo quem se consulta fora do SUS pode retirar medicamentos no posto de saúde, desde que apresente a prescrição correta.
E como funciona o acesso aos insumos
Para os insumos, o processo costuma exigir cadastro no programa municipal de insumos para pessoas com diabetes. Em geral, o posto solicita relatório médico, prescrição das insulinas e indicação da frequência de monitorização da glicemia.
Enquanto isso, cada município define como organiza a entrega e se permite ou não a reutilização de seringas, de acordo com suas normas locais.
O que o posto de saúde não oferece?
Apesar de amplo, o posto de saúde não disponibiliza todos os medicamentos usados no tratamento do diabetes. Insulinas análogas, dapagliflozina e outras terapias de maior custo seguem critérios específicos e costumam ser acessadas por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.
Nesse cenário, a equipe do posto orienta o paciente sobre qual caminho seguir dentro do SUS e quais documentos apresentar.
Por que entender esse funcionamento faz diferença
Quando a pessoa entende o que pode retirar no posto de saúde, ela evita deslocamentos desnecessários e reduz o risco de falhas no tratamento. Além disso, o conhecimento fortalece o vínculo com a equipe de saúde e permite um cuidado mais organizado e contínuo.
A Diretriz SBD 2025 reforça que o acesso regular aos medicamentos é um dos pilares do controle do diabetes. Ainda assim, acompanhamento clínico, educação em saúde e adesão correta ao tratamento continuam sendo decisivos para bons resultados.
Referência:
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz SBD 2025 – Dispensação de medicamentos e insumos para o tratamento do diabetes mellitus no SUS.
DOI: 10.29327/5660187.2025-6
Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/dispensacao-de-medicamentos-e-insumos-para-o-tratamento-do-diabetes-mellitus-no-sus-2/
