O diagnóstico de diabetes tipo 1 em Léo, filho da cantora Marília Mendonça, ocorreu cerca de três meses após a morte da mãe, quando o menino tinha dois anos. Desde então, o caso tem despertado dúvidas recorrentes entre famílias e cuidadores. Nesse contexto, uma pergunta se impõe: o luto pode funcionar como gatilho para o surgimento do diabetes tipo 1 em crianças?
O que é o diabetes tipo 1 e por que ele surge na infância
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune, crônica e sem cura. Ela ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Sem esse hormônio, o organismo não consegue regular adequadamente os níveis de glicose no sangue.
Além disso, o início da doença costuma ser abrupto. Em muitos casos, o diagnóstico acontece após sintomas evidentes, o que exige atendimento médico imediato. Portanto, diferentemente do diabetes tipo 2, o diabetes tipo 1 não está relacionado à alimentação, ao peso corporal ou ao estilo de vida.
Principais sintomas em crianças
Os sinais de alerta costumam surgir rapidamente. Entre os mais comuns estão:
- sede excessiva e persistente;
- aumento do volume urinário;
- perda de peso sem causa aparente;
- cansaço intenso;
- alterações de humor;
- visão embaçada.
Ao notar esses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde o quanto antes. O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações graves, como a cetoacidose diabética.
A imagem que viralizou e reacendeu o debate
Em agosto de 2025, uma foto publicada por Dona Ruth Moreira, avó materna de Léo, ganhou grande repercussão nas redes sociais. Na imagem, o menino aparece ao lado de uma das babás, que convive com diabetes tipo 2.

Embora se tratem de condições diferentes, o registro chamou atenção do público e reacendeu discussões sobre o diagnóstico do filho da cantora. Ao mesmo tempo, evidenciou como o tema ainda é cercado por desinformação e associações equivocadas entre emoção e causa da doença.
Emoções podem causar diabetes tipo 1?
Para esclarecer essas dúvidas, o portal Um Diabético ouviu o psicólogo Mário Márcio, que atua com crianças, adolescentes e famílias que convivem com o diabetes.
Segundo o especialista, é fundamental separar impacto emocional de causalidade biológica.
“O primeiro ponto que precisa ficar claro é que não existe diagnóstico de diabetes emocional”, afirma Mário Márcio, psicólogo especialista em diabetes.
No entanto, ele explica que situações de estresse intenso podem interferir temporariamente nos níveis de glicose, inclusive em pessoas que não têm diabetes.
“O estresse pode impactar a variação glicêmica. Até pessoas sem diabetes podem apresentar esse efeito”, explica.
Luto pode ser gatilho para o diabetes tipo 1?
Apesar da associação comum feita pelo público, o fator determinante para o desenvolvimento do diabetes tipo 1 é genético. É necessária uma predisposição imunológica prévia para que a doença se manifeste.
Nesse contexto, eventos estressantes, como o luto, podem atuar como um gatilho biológico, antecipando o aparecimento clínico da condição. Ainda assim, isso não significa que sejam a causa direta.
“Mesmo existindo predisposição, passar por uma situação estressora não quer dizer que a pessoa, obrigatoriamente, desenvolverá o diabetes tipo 1”, explica o psicólogo.
Portanto, o luto não provoca o diabetes, mas pode coincidir com o momento em que a doença se torna evidente.
O impacto do diagnóstico na vida da criança e da família
Após a confirmação do diagnóstico, a rotina familiar passa por mudanças profundas. O tratamento envolve aplicação diária de insulina, monitoramento frequente da glicose e planejamento alimentar constante.
Além disso, muitas famílias utilizam sensores contínuos de glicose, que permitem acompanhar as variações ao longo do dia e ajudam na tomada de decisões. Ainda assim, o cuidado emocional segue sendo parte essencial do tratamento.
O luto simbólico após o diagnóstico
Segundo Mário Márcio, é comum que pais e cuidadores vivenciem um luto simbólico.
“A família perde a ideia de normalidade. Surge uma rotina intensa de cuidados, que mexe com emoções, autoestima e relações sociais”, afirma.
Nesse sentido, o acompanhamento psicológico pode ajudar na adaptação, na aceitação do diagnóstico e na construção de uma nova rotina mais equilibrada.
Informação confiável como parte do cuidado
O caso de Léo ganha visibilidade por envolver uma figura pública. No entanto, ele reflete a realidade de milhares de famílias brasileiras que convivem diariamente com o diabetes tipo 1.
Portanto, compreender os limites entre emoção, genética e ciência é fundamental para reduzir a culpa associada ao diagnóstico, combater mitos e fortalecer o cuidado integral desde a infância.