Saber quais são os níveis perigosos de glicose no sangue é fundamental para quem convive com diabetes ou apresenta fatores de risco para a doença. Embora oscilações aconteçam, valores muito baixos ou elevados exigem atenção imediata, pois aumentam o risco de complicações agudas e danos silenciosos ao longo do tempo.
Quais são os valores considerados adequados de glicose
As metas glicêmicas variam conforme idade, tipo de diabetes e tratamento. Ainda assim, diretrizes costumam indicar, para muitas pessoas, valores entre 70 e 180 mg/dL ao longo do dia. Segundo o endocrinologista pediátrico Eduardo Calliari, “existe um consenso que fala que o valor bom de glicose é de 70 a 180”. Valores fora desse intervalo exigem atenção, especialmente quando se repetem.
Quando a glicose baixa se torna perigosa
A hipoglicemia ocorre quando a glicose fica abaixo de 70 mg/dL. A partir desse ponto, o cérebro começa a sofrer com falta de energia. Além disso, níveis abaixo de 54 mg/dL são considerados hipoglicemia grave. Nessa situação, podem surgir confusão mental, tremores e risco de perda de consciência. Portanto, a correção rápida é essencial para evitar acidentes e complicações neurológicas.
Glicose alta: a partir de que valor o risco aumenta
A hiperglicemia passa a ser considerada quando a glicose ultrapassa 180 mg/dL. No entanto, há um segundo patamar de alerta. “A gente tem dois números importantes: 180, que já é glicemia alta, e 250, que é uma glicemia muito alta”, explica o médico. Acima desses valores, especialmente quando persistentes, aumentam os riscos de desidratação e complicações agudas.
Por que a hiperglicemia nem sempre dá sintomas
Diferentemente da hipoglicemia, a glicose alta costuma provocar sintomas mais lentos e, muitas vezes, imperceptíveis. “Muita gente se sente normal com 200 ou até 250 de glicemia”, afirma Calliari. Ainda assim, o excesso de açúcar no sangue leva à urina frequente e sede intensa. No diabetes tipo 2, esse quadro pode ser silencioso por anos, o que torna o controle ainda mais desafiador.
O que acontece com o corpo quando a glicose fica alta por muito tempo
A hiperglicemia prolongada provoca danos progressivos. “O açúcar elevado começa a se ligar às proteínas dos vasos sanguíneos”, explica o especialista. Com o tempo, vasos pequenos do olho, rim e nervos perdem função. Portanto, problemas de visão, doença renal e neuropatia surgem como consequências de um controle inadequado mantido por anos.
Monitorar a glicose é o principal fator de prevenção
Como a glicose alta pode não causar sintomas, o monitoramento regular se torna indispensável. “Se a pessoa não sente nada, como ela sabe que está com hiperglicemia? A resposta é medir”, reforça Calliari. Nesse sentido, o uso do glicosímetro ou do sensor contínuo permite ajustes precoces e reduz riscos futuros.
Quando procurar ajuda médica
Episódios frequentes de hipoglicemia grave ou glicose persistentemente acima de 250 mg/dL exigem avaliação profissional. Além disso, pessoas com fatores de risco devem realizar exames de rotina. “É uma recomendação que pessoas acima de 40 anos, especialmente com histórico familiar ou obesidade, façam o rastreamento”, orienta o endocrinologista.
