O diabetes, especialmente o tipo 2, está fortemente associado às doenças cardiovasculares.
Isso acontece porque a glicose elevada provoca alterações progressivas no organismo.
Com o tempo, essas mudanças aumentam o risco de infarto e AVC.
No entanto, entender esses mecanismos permite agir de forma preventiva.
A seguir, veja como o diabetes impacta o coração e o que pode ser feito para reduzir os riscos.
1. Danos aos vasos sanguíneos
Primeiramente, o excesso de glicose danifica os vasos sanguíneos.
Além disso, compromete os nervos que regulam o coração e a circulação.
Com o passar dos anos, esse processo favorece infarto e AVC.
Por isso, manter a glicemia dentro da meta ajuda a preservar os vasos.
2. Inflamação crônica
Além disso, o diabetes está ligado à inflamação persistente no corpo.
Essa inflamação facilita o acúmulo de placas de gordura nas artérias.
Como resultado, o fluxo de sangue para o coração diminui.
Por outro lado, controlar a glicose e seguir o tratamento reduz esse processo inflamatório.
3. Aumento da pressão arterial
O diabetes também pode causar lesões nos rins.
Consequentemente, ocorre retenção de sal e líquidos.
Isso eleva a pressão arterial.
Quando diabetes e hipertensão coexistem, o risco de infarto pode dobrar.
Portanto, alimentação com menos sal e atividade física são fundamentais.
4. Alterações no colesterol
Outro ponto importante é o impacto no colesterol.
O diabetes tende a reduzir o HDL, o colesterol “bom”.
Ao mesmo tempo, aumenta o LDL e os triglicerídeos.
Esse quadro, chamado dislipidemia diabética, acelera a doença cardíaca.
Assim, ajustes na dieta e, se necessário, medicamentos fazem diferença.
5. Maior risco de obesidade
Cerca de 8 em cada 10 pessoas com diabetes tipo 2 têm sobrepeso ou obesidade.
A obesidade aumenta o risco de doença cardíaca isquêmica.
Ou seja, reduz o fluxo de sangue e oxigênio para o coração.
Mesmo assim, perder entre 5% e 10% do peso já melhora a saúde cardíaca.
6. Comprometimento dos rins
Com o tempo, o diabetes pode causar doença renal.
Isso ocorre devido aos danos nos pequenos vasos dos rins.
Além disso, a hipertensão agrava esse quadro.
Vale destacar que doença renal e doença cardíaca estão interligadas.
Portanto, cuidar da glicose e da pressão protege ambos os órgãos.
7. Maior risco de coágulos
O diabetes também aumenta a tendência à formação de coágulos sanguíneos.
Esses coágulos podem causar infarto, AVC e tromboses.
Por esse motivo, manter um estilo de vida ativo e não fumar reduz o risco.
8. Risco elevado de insuficiência cardíaca
Por fim, pessoas com diabetes têm mais que o dobro de risco de insuficiência cardíaca.
Nessa condição, o coração não consegue bombear sangue adequadamente.
Isso causa falta de ar, inchaço e cansaço excessivo.
Ainda assim, controlar a hemoglobina glicada e seguir o tratamento ajuda a prevenir.
O que fica de alerta
Em resumo, o diabetes vai muito além da glicose alta.
Ele afeta o coração, os vasos, os rins e a circulação.
Por isso, o cuidado precisa ser contínuo e integrado.
Controlar a glicemia, a pressão e o colesterol reduz, de forma concreta, o risco de infarto.
Referências científicas
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Donath MY, Shoelson SE. Nat Rev Immunol. 2011.
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DOI: 10.1161/CIRCRESAHA.118.311371
