Um dado preocupante foi apresentado no Congresso Europeu de Diabetes (EASD 2025), em Viena. Muitos adultos que têm diabetes tipo 1 acabam sendo diagnosticados como se tivessem diabetes tipo 2.
Segundo os especialistas, até 39% dos casos de diabetes tipo 1 em adultos não são identificados corretamente no início. Entre eles, 77% recebem o diagnóstico de diabetes tipo 2 e começam um tratamento inadequado.
Esse erro é grave porque os dois tipos de diabetes exigem cuidados diferentes.
No diabetes tipo 1, o corpo para de produzir insulina. O tratamento depende desse hormônio desde o início. Já no diabetes tipo 2, geralmente há resistência à ação da insulina. O tratamento pode começar com mudanças na alimentação, exercícios e comprimidos.
Se a pessoa com diabetes tipo 1 for tratada como se tivesse tipo 2, o risco de complicações sérias, como a cetoacidose diabético, um quadro que pode levar à internação e até à morte, aumenta muito.
Mas a confusão também pode acontecer no outro sentido: alguns pacientes com diabetes tipo 2, principalmente os mais jovens, magros ou com perda rápida do controle da glicose, acabam sendo tratados como se tivessem tipo 1.
Ferramenta para ajudar médicos
Para evitar esses erros, pesquisadores apresentaram no congresso uma espécie de lista de verificação chamada AABBCC. Ela ajuda médicos a identificar melhor quando pode se tratar de diabetes tipo 1 em adultos:
Idade: diagnóstico antes dos 35 anos. Histórico autoimune: presença de doenças autoimunes na pessoa ou na família. Fenótipo corporal: pessoas com índice de massa corporal (IMC) abaixo de 25. Histórico familiar: parentes próximos com diabetes tipo 1. Controle glicêmico: glicose que piora rápido, mesmo em tratamento. Comorbidades: uso de medicamentos que podem precipitar diabetes tipo 1, como alguns tratamentos para câncer e imunoterapias.
O que isso significa para o Brasil
No Brasil, a situação não é diferente. Muitos adultos diagnosticados com diabetes tipo 2 podem, na verdade, ter diabetes tipo 1. Isso reforça a necessidade de mais atenção médica, acesso a exames como o autoanticorpo e o peptídeo C, além de conscientização sobre as diferenças entre os tipos de diabetes.
