O documentarista Silvio Tendler, um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro, morreu nesta sexta-feira (5), no Rio de Janeiro, aos 75 anos. A causa foi uma neuropatia diabética, complicação grave do diabetes que compromete os nervos e pode gerar infecções fatais.
Quem foi Silvio Tendler
Silvio Tendler construiu uma trajetória marcante no cinema. Ao longo da carreira, ele dirigiu mais de 70 filmes e 12 séries e, por isso, ficou conhecido como o cineasta dos sonhos interrompidos. Além disso, seus documentários deram voz a personagens que marcaram a história do Brasil, como João Goulart, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves.
Além disso, Tendler também realizou obras de grande sucesso popular. Entre elas, “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (1981), que levou mais de 1,8 milhão de pessoas ao cinema, e “Os Anos JK”, que ultrapassou 1 milhão de espectadores.
Ele foi professor universitário, militante cultural e recebeu importantes condecorações, como a Ordem de Rio Branco (2006) e a Ordem do Mérito Cultural (2025).
O que é a neuropatia diabética?
A neuropatia diabética é uma das complicações mais comuns do diabetes. Ela ocorre quando o excesso de glicose no sangue danifica os nervos e compromete a circulação sanguínea. Por isso, o paciente pode apresentar perda de sensibilidade, dores intensas, problemas de equilíbrio e maior risco de infecções.
Estudos apontam que até 50% das pessoas com diabetes podem desenvolver algum tipo de neuropatia ao longo da vida. Nesse sentido, o tratamento inclui o controle rigoroso da glicemia, a alimentação equilibrada, a prática de exercícios físicos e, além disso, o uso de medicamentos específicos.
No caso de Silvio Tendler, a complicação o acompanhava há mais de uma década e fragilizou sua saúde até resultar em consequências fatais.
Repercussão e homenagens
A morte de Tendler gerou comoção imediata:
- O Ministério da Cultura afirmou que o cineasta “ajudou a preservar a memória política e social do Brasil com coragem e sensibilidade”.
- A Fundação Casa de Rui Barbosa destacou que “seu cinema foi espaço de memória, gesto de esperança e ato de coragem”.
- A Produtora Caliban, fundada por ele, publicou: “Silvio deixa uma filha, um neto, mais de cem obras e a semente da justiça social plantada em todos nós.”
Nas redes sociais, fãs e admiradores reforçaram seu legado. Muitos ressaltaram que é impossível falar de documentário brasileiro sem lembrar de Silvio Tendler.
Legado eterno
Silvio Tendler transformou a memória em cinema e fez da câmera uma ferramenta de reflexão política e social. Sua partida encerra uma trajetória interrompida pela neuropatia diabética, mas sua obra continua viva.
Graças ao seu trabalho, novas gerações ainda poderão refletir sobre o passado e sonhar com um futuro mais justo.
