O tratamento do diabetes exige o uso diário de insumos como agulhas, seringas, canetas de insulina, frascos, sensores e tiras de glicemia. Esse cuidado garante a saúde, mas também produz uma grande quantidade de resíduos. Por isso, cada pessoa precisa saber o destino correto desse material.
No DiabetesCast, o tema foi discutido com a educadora em diabetes e enfermeira Gisele Filgueiras, e com a publicitária Lívia Mello, criadora do projeto Se Joga na Diabetes.
Lixo que vira utilidade
Conviver com o diabetes tipo 1 levou Lívia a buscar soluções criativas para reduzir o impacto ambiental do tratamento. Ela transformou canetas de insulina usadas em canetas esferográficas e marca-textos. Assim nasceu a Insulineta – a caneta mais doce do mundo.
“Passei mais de 15 anos descartando errado. Quando percebi o quanto de lixo eu acumulava, decidi dar um novo significado a esse material. Hoje transformo em chaveiros, porta-canetas, brincos e até quadros decorativos”, contou Lívia.
A ideia cresceu e já inspira outras pessoas. Em cidades do Rio Grande do Sul, professores iniciaram projetos que produzem material escolar para crianças com insulinetas. Desse modo, o que antes virava descarte passou a servir como recurso educativo.
O descarte correto
A criatividade pode dar novos usos ao lixo. No entanto, o descarte adequado continua sendo indispensável. Para Gisele Filgueiras, a falta de informação ainda leva muita gente a jogar insumos em lixeiras comuns, o que coloca em risco trabalhadores da limpeza e o meio ambiente.
“O descarte correto é uma responsabilidade social. Não se trata apenas de organizar a rotina, mas de proteger pessoas e evitar contaminações. Quando jogamos errado, podemos expor alguém a cortes, acidentes e até doenças graves”, alertou Gisele.
Ela orienta que agulhas, lancetas, seringas, sensores e tiras de glicemia devem ir para coletores de perfurocortantes, conhecidos como caixinhas amarelas. Esses recipientes podem ser solicitados em unidades de saúde ou comprados em lojas de produtos hospitalares. Além disso, quem não tem acesso imediato deve usar frascos rígidos com tampa larga. Já as garrafas PET não resolvem, porque se rompem com facilidade.
Educação e consciência
O debate vai além da sustentabilidade. Afinal, a forma como cada pessoa lida com o lixo do tratamento faz parte do cuidado com a saúde.
“Quando você entende que descartar também é tratamento, a consciência muda. É uma responsabilidade que temos com o outro e com o planeta”, disse Lívia.
Gisele reforça esse ponto: “Tudo que gera risco biológico precisa ter destino adequado. Quando criamos essa rotina, protegemos a nós mesmos e também a comunidade. Informação salva vidas.”
