Na novela Vale Tudo (remake exibido em 2025), Solange, vivida por Alice Wegmann, descobre uma gestação gemelar enquanto convive com o diabetes tipo 1. O enredo, além de movimentar a trama, levanta uma questão importante: afinal, é possível ter uma gravidez com diabetes tipo 1 de forma saudável?
A resposta é positiva. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a American Diabetes Association (ADA), mulheres com a condição podem engravidar com segurança, desde que façam planejamento rigoroso, mantenham o controle glicêmico intensivo e contem com acompanhamento multiprofissional.
Gravidez com diabetes tipo 1: riscos e cuidados
A gestação em mulheres com diabetes tipo 1 recebe a classificação de alto risco. Isso ocorre porque variações de glicemia podem gerar complicações tanto para a mãe quanto para o bebê. Entre os principais riscos estão:
- Para a mãe: pré-eclâmpsia, parto prematuro e ganho excessivo de peso.
- Para o bebê: macrossomia (crescimento exagerado), dificuldades respiratórias logo após o nascimento e hipoglicemia neonatal — queda brusca de glicose nas primeiras horas de vida.
Mesmo diante desses riscos, especialistas reforçam que o controle adequado reduz de forma significativa as chances de complicações. Por isso, o pré-natal de alto risco, os ajustes de insulina e a vigilância contínua tornam-se fundamentais.
O relato da nutricionista Noelly Dantas
A nutricionista Noelly Dantas, que vive com diabetes tipo 1, já passou por duas gestações e conhece de perto os desafios.
“Na minha primeira gestação, em 2019, não planejada, senti medo e insegurança. Existem muitos mitos sobre gravidez e diabetes. Mas também veio a esperança de que, com tratamento adequado, eu teria uma gestação saudável. E assim foi. Minhas duas filhas nasceram de parto normal, saudáveis, sem complicações.”
Noelly explica que, logo após a descoberta da gravidez, os alvos glicêmicos se tornam mais rígidos. Antes, ela mantinha valores entre 70 e 180 mg/dL. Durante a gestação, a meta caiu para 63 a 140 mg/dL, exigindo disciplina maior.
“Passei a contar carboidratos com mais critério, aplicar a insulina com antecedência e medir a glicemia com mais frequência. As doses mudam ao longo da gestação, e o ajuste correto é essencial.”
Além disso, ela reforça que a rotina exige consultas mais frequentes. Endocrinologista, obstetra e oftalmologista acompanham cada fase da gestação, justamente para reduzir riscos e oferecer segurança.

Tecnologia que transforma a gestação
Segundo a SBD e a ADA, a tecnologia representa hoje uma das maiores aliadas para quem vive a gravidez com diabetes tipo 1. O uso de sensores de glicose e insulinas modernas permite ajustes rápidos e reduz complicações.
Noelly confirma essa experiência:
“O sensor de glicose transformou minha gestação. Ele permite correções rápidas e ajuda a identificar alimentos que elevam demais a glicemia. Isso, junto com insulinas modernas, fez toda a diferença.”
Além da tecnologia, as recomendações incluem alimentação equilibrada, prática de atividade física leve (com liberação médica) e suplementação adequada.
Quebrando mitos sobre gestação e diabetes
No passado, muitas mulheres com diabetes tipo 1 deixaram de engravidar por medo. Médicos e familiares acreditavam que a gestação poderia ser inviável. Hoje, a ciência oferece outro panorama.
“Antigamente se acreditava que era inviável. Muitas mulheres deixaram de ser mães por medo. Hoje sabemos que, com planejamento e tratamento adequado, é totalmente possível ter filhos saudáveis”, afirma Noelly.
