“Qual o diabetes mais grave?”
Essa é uma das primeiras perguntas que surgem após o diagnóstico. O medo é legítimo, afinal, a palavra diabetes costuma estar associada a complicações sérias. No entanto, especialistas alertam: a resposta não é tão simples. O mais importante não é o tipo da doença, mas sim como ela é controlada no dia a dia.
O endocrinologista Dr. André Viana explica:
“Quando você acha que é mais grave, muitas vezes a chance de desistir do tratamento é maior. E quando você acha que é menos grave, pode haver negligência. O diabetes mais grave é sempre o descontrolado.”
Entendendo os principais tipos de diabetes
Diabetes tipo 1
O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. O sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis por produzir insulina. Sem esse hormônio, a glicose não consegue entrar nas células para gerar energia. É mais comum em crianças e adolescentes, mas também pode surgir em qualquer idade. O tratamento exige aplicação diária de insulina e monitoramento frequente.
Diabetes tipo 2
O diabetes tipo 2 é a forma mais comum. Ele ocorre quando o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la de forma adequada, caracterizando a resistência insulínica. Está associado ao sedentarismo, excesso de peso e predisposição genética. Embora seja mais comum em adultos, tem se manifestado cada vez mais em jovens e até em crianças. O tratamento pode envolver mudanças de estilo de vida, medicação oral e, em alguns casos, insulina.
Por que não existe um “mais grave”
Ambos os tipos, quando não tratados corretamente, podem levar às mesmas complicações sérias, como:
- Doenças cardiovasculares (infarto e AVC)
- Problemas renais (nefropatia)
- Danos na visão (retinopatia)
- Lesões nos nervos (neuropatia)
Dessa forma, uma pessoa com diabetes tipo 1 bem controlado pode ter mais qualidade de vida do que alguém com tipo 2 descontrolado — e vice-versa.
O Dr. Viana reforça:
“Não existe diabetes mais grave ou menos grave entre tipo 1 e tipo 2. O que importa é o controle.”
O que realmente aumenta os riscos
Segundo o endocrinologista Dr. Walter Minicucci, que atua há mais de 40 anos no cuidado de pessoas com diabetes, os fatores que complicam a doença não são os tipos em si, mas sim:
- Falta de informação – o desconhecimento leva ao medo e ao erro.
- Dificuldade de acesso a insumos e tecnologias – sem os recursos adequados, o tratamento fica limitado.
- Falta de apoio familiar – especialmente em crianças e adolescentes, o suporte da família é essencial.
- Olhar de piedade – o excesso de permissividade pode atrasar cuidados importantes.
Minicucci resume:
“Não é proibição absoluta, mas também não é liberdade absoluta. O equilíbrio é a chave.”
O foco deve ser no controle
Mais do que procurar um “vilão”, é fundamental investir em educação em saúde. O paciente precisa ser protagonista do seu tratamento, com acompanhamento médico e uso correto de insulina, medicamentos e tecnologias.
Em resumo, com informação, disciplina e apoio, é totalmente possível viver bem e com segurança — seja com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
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