A liberdade de dirigir é parte essencial da vida moderna. No entanto, para quem vive com diabetes, o ato de pegar o volante exige atenção redobrada. Isso acontece porque a hipoglicemia, ou seja, a queda brusca nos níveis de glicose no sangue, pode surgir de forma inesperada e comprometer a segurança de todos.
O jornalista Tom Bueno, que convive com a condição, relatou uma situação preocupante em que precisou parar o carro às pressas. A experiência dele mostra, portanto, a importância da prevenção.
“Eu precisei parar de dirigir o meu carro na estrada, porque eu comecei a sentir uma hipoglicemia. É uma sensação que a gente não consegue ter controle do corpo. Você começa a ter suor frio, a tremer, a sentir um pouco de tontura, a vista começa a ficar meio turva. A minha sorte é que eu estava numa estrada que tinha um acostamento logo em seguida. Aí eu parei o carro, sentei no banco de trás, medi a glicose, vi que ela estava baixa e ingeri um suco de uva. Depois de 15 minutos a minha glicose subiu e eu voltei a dirigir.”
Tom ainda reforça que a decisão rápida pode salvar vidas:
“Eu tirei uma lição que não dá pra gente subestimar. Se a glicose está quase em hipo, é melhor agir antes do que correr o risco no trânsito.”
O que acontece com o corpo na hipoglicemia?
A hipoglicemia ocorre quando os níveis de glicose caem para menos de 70 mg/dL. De acordo com a nutricionista Tarsila Campos, “a glicose é o principal combustível do cérebro, e sua falta pode afetar diretamente a coordenação motora, o raciocínio e os reflexos necessários para dirigir com segurança”.
Os sintomas mais comuns ao volante incluem:
- Tremores, suor frio e palpitações.
- Sonolência, tontura e dor de cabeça.
- Visão embaçada ou turva.
- Irritabilidade ou dificuldade de concentração.
- Em casos graves: confusão mental, desmaios ou convulsões.
Esses sinais podem ser confundidos com cansaço ou até mesmo com ingestão de álcool. No entanto, a causa é sempre a mesma: falta de energia para o cérebro.
Como evitar o problema?
A prevenção é a melhor estratégia. Dessa forma, pequenos cuidados podem garantir mais segurança no trânsito:
Antes de sair de casa
- Meça a glicemia. Esse é o primeiro passo para dirigir com segurança.
- Organize um kit com glicosímetro ou sensor, além de balas, sachês de açúcar, mel e uma fruta.
- Evite álcool antes de dirigir, já que ele aumenta o risco de hipoglicemia em quem usa insulina ou certos medicamentos.
Durante a condução
- Em viagens longas, faça pausas a cada 2 horas para checar a glicemia.
- Caso não consiga medir, coma algo leve nesses intervalos, como uma fruta.
- Se sentir sintomas, pare imediatamente em local seguro.
O que fazer se sentir sintomas de hipoglicemia?
Segundo Tarsila, o protocolo é claro:
- Interrompa a direção e estacione em segurança.
- Inira 15 g de carboidrato de ação rápida (200 mL de suco, 1 colher de sopa de açúcar ou 3 sachês de mel).
- Reavalie a glicemia após 15 minutos. Só volte a dirigir se os níveis estiverem acima de 90 mg/dL e os sintomas tiverem desaparecido.
- Se usa sensor, atenção: a resposta pode demorar até 30 minutos. Nesse caso, sempre que possível, confirme com teste capilar.
A nutricionista resume:
“Nunca dirija se estiver em hipoglicemia. Medir a glicemia, planejar horários e ter carboidratos rápidos à mão são atitudes simples que fazem toda a diferença.”
