A NASA está prestes a dar um passo histórico: incluir o primeiro astronauta com diabetes em uma missão espacial. Para isso, a agência investiga a eficácia de monitores de glicose e a estabilidade da insulina na Estação Espacial Internacional (ISS). O estudo, financiado pelo Laboratório Nacional da ISS em cooperação com a NASA, busca garantir segurança para futuras tripulações com pessoas que convivem com a condição.
A barreira do espaço para quem tem diabetes
Durante décadas, médicos e agências espaciais desqualificaram automaticamente candidatos com diabetes dependente de insulina. Agora, a missão Axiom Mission 4 (Ax-4), lançada em 10 de junho de 2025, desafia essa regra. O projeto “Suite Ride” avalia se astronautas podem monitorar e tratar a glicose de forma precisa em microgravidade. Assim, se os resultados forem positivos, a participação de astronautas com diabetes deixará de ser apenas uma hipótese.
O que a pesquisa testa na Estação Espacial
A investigação acontece em duas frentes complementares.
Primeiro, a equipe analisa monitores de glicose já disponíveis no mercado. Como a microgravidade muda a distribuição de fluidos corporais, existe o risco de comprometer os sensores. Entretanto, os pesquisadores querem mostrar que os dispositivos mantêm confiabilidade ou que ajustes de calibração corrigem possíveis distorções.
Na segunda frente, cientistas avaliam a integridade da insulina em órbita. Eles enviaram diferentes tipos de insulina à ISS: algumas amostras ficaram em refrigeração, enquanto outras permaneceram em temperatura ambiente. Depois do retorno, especialistas vão verificar se a exposição ao ambiente espacial alterou a qualidade do medicamento.

Benefícios que ultrapassam a órbita
Os impactos não se limitam ao espaço sideral. Pelo contrário, se a tecnologia confirmar precisão em microgravidade, ela também poderá melhorar o atendimento remoto aqui na Terra. Como explica Alex Rubin, líder de operações médicas da Axiom Space, o envio de dados em tempo quase real entre astronautas e médicos pode servir de modelo para regiões isoladas ou de difícil acesso.
Além disso, a pesquisa combate preconceitos. Antigamente, acreditava-se que pessoas com diabetes não podiam praticar certas atividades. Hoje, atletas de elite, pilotos e profissionais de alto desempenho já mostram o contrário. Portanto, o espaço é a próxima fronteira a ser conquistada.
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