Um vídeo que virou viral e já ultrapassou 1 milhão de visualizações emocionou a internet ao mostrar a pequena Heloísa, diagnosticada com diabetes tipo 1, durante um episódio de hipoglicemia em crianças. Nas imagens, a mãe aparece oferecendo mel para corrigir a glicemia que havia caído para 31 mg/dL.
A cena gerou identificação entre milhares de famílias que convivem com o diabetes. Ao mesmo tempo, trouxe um debate essencial: como agir corretamente em situações de queda brusca de glicose em crianças?
O jornalista Tom Bueno, criador do Um Diabético, foi um dos que reagiu ao vídeo. Para ele, a tranquilidade da mãe foi determinante:
“Se ela tivesse entrado em desespero nesse momento, talvez não tivesse conseguido socorrer a filha. Ela manteve a calma, deu o mel e a criança já voltou.”
O que os especialistas recomendam
Situações como essa exigem rapidez e clareza de ação. O endocrinologista Dr. Luis Eduardo Calliari destaca que a mãe acertou em pontos cruciais:
“Ela percebeu o sintoma, confirmou no teste de ponta de dedo e ofereceu açúcar de absorção rápida. O mel, em sachê, costuma ter cerca de 5 gramas de carboidrato, e para uma criança essa dose entre 5 e 10 gramas normalmente é suficiente.”
Além disso, Calliari reforça a importância da checagem após 15 minutos:
“Esse é outro ponto correto. Medir de novo para ver se a glicemia está subindo faz parte do manejo adequado.”
Já a endocrinologista Dra. Monica Gabbay acrescenta uma ressalva. Segundo ela, o ideal é não começar pela refeição, já que os alimentos demoram mais para agir:
“A ação foi parcialmente correta. O certo é corrigir primeiro com mel, suco ou açúcar, e só depois oferecer a comida.”
Ao mesmo tempo, Gabbay traz uma orientação prática para famílias:
“O fundamental é ter sempre à mão uma fonte de carboidrato de absorção rápida e saber a dose certa para cada faixa etária. Crianças menores de 5 anos precisam de 5 g, entre 5 e 10 anos 10 g, e acima de 10 anos já se usa 15 g.”
Ela também lembra de outro cuidado simples, mas essencial:
“Antes de medir a glicemia, é importante limpar bem o dedo da criança, porque restos de alimentos podem alterar o resultado.”
Lições para as famílias
A hipoglicemia é uma das emergências mais comuns do diabetes tipo 1. Se não for tratada rapidamente, pode causar convulsões ou perda de consciência. Por isso, episódios como o de Heloísa, apesar de delicados, ajudam a jogar luz sobre um tema que precisa de atenção constante.
Entre as principais orientações médicas, destacam-se:
- Reconhecer os sintomas — tremores, suor frio, irritabilidade e sonolência.
- Medir a glicemia sempre que possível antes da correção.
- Ter à disposição sachês de mel, balas, açúcar ou suco.
- Reforçar a correção com refeição depois da melhora.
- Revisar constantemente com o médico a quantidade de carboidrato indicada.
- Nunca encarar a hipoglicemia como algo “normal”. Mesmo quando resolvida em casa, é importante comunicar o médico para avaliar causas e ajustar o tratamento.
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