A dificuldade para manter ou alcançar uma ereção pode ser um dos primeiros sinais de que algo não vai bem com a saúde. Por isso, em muitos casos, o tratamento do diabetes está por trás desse problema. Essa condição, que afeta milhões de pessoas no Brasil, provoca alterações na circulação e nos nervos que controlam a função sexual. O resultado é simples de entender: o sangue até chega ao órgão sexual, mas vai embora rápido demais, enfraquecendo ou impedindo a ereção.
O urologista Dr. Ricardo Vita explica que essa ligação entre impotência sexual e diabetes envolve tanto problemas vasculares quanto neurológicos.
Como o diabetes afeta a função sexual masculina
Ainda de acordo com o médico, a circulação de sangue no órgão genital masculino depende da artéria cavernosa, que é a principal do pênis.
“No caso do órgão genital, por exemplo, masculino, você tem a artéria cavernosa, que é a artéria principal do pênis, que tem 1 a 2 milímetros de calibre. Então você tem uma chance de entupir, de ter inflamações e com dificuldade de circulação muito grande nessa região”, explica.
Essa dificuldade de circulação não é o único problema. Por isso, o especialista também ressalta o impacto do diabetes nos nervos responsáveis pela ereção.
“Você tem um problema também da parte neurológica. Porque o diabetes vai descascar os nervos, a bainha que recobre os nervos. E essa transmissão de algumas substâncias que são neurotransmissores, então no caso da ereção seria o óxido nítrico, que ele faz o relaxamento dos vasos sanguíneos, você tem uma dificuldade da transmissão dessa substância e os vasos ficam mais contraídos, daí você circula menos ainda uma matéria que já é doente também”, completa.
O papel das veias na ereção
Durante a ereção, as veias precisam se fechar para que o sangue permaneça no pênis e mantenha a rigidez. O Dr. Ricardo Vita explica que, no caso de quem tem diabetes, esse mecanismo também sofre alterações.
“Você tem uma circulação ruim por conta vascular e por conta neurológica. E daí você tem um problema que as veias não se fecham. As veias na hora da ereção deviam se fechar, para o sangue chegar e ficar ali. Ficar no órgão lá, turjo, ou ereto. Mas você tem uma disfunção venoclusiva, que é o nome técnico disso, que as veias ficam frouxas. Pelo contrário. E daí o sangue escapa e volta. E daí você não consegue ter uma ereção, ou manter uma ereção, como você disse”.
Esse conjunto de alterações explica por que a impotência sexual e diabetes andam próximas. O problema pode começar de forma discreta, apenas com uma ereção mais fraca, e evoluir para dificuldade total de manter a relação.
É possível reverter o quadro
Embora o cenário possa assustar, o Dr. Ricardo Vita reforça que o quadro de disfunção erétil relacionada ao diabetes pode melhorar com tratamento adequado. O controle da glicemia, mudanças de hábitos e, quando indicado, o uso de medicamentos específicos, ajudam a restabelecer a circulação e a função nervosa. Em alguns casos, a melhora ocorre de forma significativa, devolvendo qualidade de vida e autoconfiança ao paciente.
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