Um dos medicamentos mais modernos para tratar o diabetes tipo 2, a tirzepatida (nome comercial Mounjaro), apresentou resultados positivos em relação à segurança cardiovascular em um estudo internacional de grande porte. A descoberta vem da farmacêutica Eli Lilly, que comparou a tirzepatida com a dulaglutida (Trulicity), já conhecida por seus efeitos protetores ao coração.
Mais de 13 mil pessoas participaram da pesquisa da tirzepatida
Ao longo de quase cinco anos, os pesquisadores acompanharam mais de 13 mil pessoas com diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Por isso, o principal objetivo do estudo foi verificar se a tirzepatida conseguiria evitar eventos graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular, com a mesma eficácia da dulaglutida.
A tirzepatida cumpriu esse objetivo. Isso porque dados revelaram que os pacientes que utilizaram o novo medicamento tiveram desempenho semelhante à dulaglutida na prevenção dessas complicações graves. A médica e líder nacional do estudo no Brasil, Denise Franco afirma:
“A tirzepatida se mostrou tão segura quanto a dulaglutida na prevenção de eventos graves como infarto, AVC e morte cardiovascular e ainda trouxe benefícios adicionais: reduziu mais a glicemia, o peso corporal, protegeu melhor os rins e diminuiu em 16% o risco de morte por qualquer causa.“
Tirzepatida reduziu risco de morte por todas as causas
Além dos bons resultados cardiovasculares, o estudo mostrou um dado importante: o grupo que recebeu tirzepatida apresentou uma redução de 16% no risco de morte por todas as causas. Esse número fortalece o uso da tirzepatida em pessoas com alto risco cardiovascular.
A endocrinologista Denise Franco acompanhou os resultados e destacou os diversos efeitos positivos do medicamento.
“É um resultado muito bom, pensando que a gente já sabe que a tirzepatida reduz a glicemia, tem eficácia no controle do peso e, agora, mostra também segurança cardiovascular.”
Estudo aponta melhora na glicose, no peso e na função renal
Ao comparar os dois grupos, os pesquisadores notaram que os pacientes que usaram tirzepatida reduziram ainda mais os níveis de glicose no sangue (HbA1c) em relação aos que tomaram dulaglutida. Eles também perderam mais peso e mantiveram melhor a função dos rins durante o período de acompanhamento.
Embora alguns pacientes tenham relatado náuseas, diarreia e desconforto gastrointestinal, esses efeitos apareceram de forma leve e temporária. A equipe de pesquisa considerou a segurança geral do medicamento compatível com o que já se conhecia em estudos anteriores.
A equipe responsável pelo estudo vai apresentar os resultados completos em setembro, durante o congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD). Além disso, a Eli Lilly planeja enviar os dados para autoridades regulatórias de diferentes países ainda este ano.
Além disso, ver que o Brasil também está incluído no estudo tem uma grande importância. Sobre isso, a líder nacional do estudo e endocrinologista Denise Franco, afirma:
“Tenho muito orgulho de ver nossa participação em uma pesquisa que pode mudar a forma como tratamos o diabetes com foco não só no controle do açúcar, mas na proteção do coração, dos rins e da vida.“
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