Um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está analisando os efeitos do diabetes e da glicose alta nos braços e pernas. A pesquisa, realizada pelo curso de Fisioterapia, convida pessoas com diagnóstico de diabetes tipo 1 ou tipo 2, entre 18 e 65 anos, a responder um questionário online. A participação é voluntária, não exige presença física e pode ser feita de qualquer lugar do Brasil até o fim de agosto.
O que o estudo quer descobrir sobre o diabetes?
Os pesquisadores querem entender, acima de tudo, como o diabetes interfere na sensibilidade, força e funcionamento dos membros superiores e inferiores. Por isso, o objetivo principal da pesquisa é investigar se a doença provoca alterações que, com o tempo, dificultam tarefas do dia a dia, como, por exemplo, segurar objetos, caminhar ou subir escada.
Além disso, o estudo avalia três pontos fundamentais: a percepção dos toques e estímulos nos braços e pernas, a força muscular e, consequentemente, o impacto dessas alterações nas funções motoras do corpo. A partir desses dados, será possível construir um panorama mais completo e detalhado sobre os efeitos do diabetes no sistema musculoesquelético.
Em resumo, quanto mais se compreende o impacto do diabetes no corpo, especialmente nos membros, maiores são as chances de identificar precocemente os sinais e de promover intervenções eficazes para melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença.
Por que olhar para braços e pernas?
Muitas pessoas conhecem as complicações mais comuns do diabetes, como problemas nos olhos, nos rins ou nos nervos. No entanto, o diabetes também pode causar alterações nos músculos e articulações. Essas alterações envolvem rigidez, dores e até dificuldades de movimento, que surgem ao longo do tempo e nem sempre são percebidas logo no início.
Com os resultados da pesquisa, os profissionais da saúde poderão realizar atendimentos mais completos. Isso pode facilitar o diagnóstico precoce de problemas nos membros e contribuir para tratamentos mais direcionados.
Quais sintomas merecem atenção para quem tem diabetes?
Estudos anteriores, como o divulgado pela Universidade de Exeter em 2024 e publicado pelo portal “Um Diabético” na época, já mostraram que algumas condições físicas podem estar associadas à glicose alta no sangue. Entre elas, estão:
- Ombro congelado: o ombro perde mobilidade e dói ao se movimentar;
- Dedo em gatilho: um ou mais dedos travam ao tentar esticar;
- Síndrome do túnel do carpo: formigamento, dor e dormência nos dedos e nas mãos, mais comum à noite;
- Contratura de Dupuytren: os dedos se curvam para dentro, dificultando abrir a mão.
Esses sintomas envolvem articulações, nervos e tecidos das mãos e braços. Embora nem sempre apareçam nos primeiros anos do diabetes, eles podem surgir com o tempo e atrapalhar as atividades diárias.
Como participar da pesquisa
Quem quiser colaborar com o estudo deve preencher um formulário online. Leva cerca de 20 minutos. Ao final, os participantes recebem uma cartilha com orientações sobre cuidados com os sintomas e prevenção de complicações. O questionário está disponível e o prazo para participar vai até o final de agosto.
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