Mesmo aplicando insulina corretamente e cuidando da alimentação, muitas pessoas com diabetes enfrentam um desafio: a glicose parece não responder como antes. Por isso, em alguns momentos, permanece alta por horas. Em outros, despenca rapidamente, mesmo com a mesma dose de insulina que funcionava dias atrás.
O que explica isso?
Dois fatores silenciosos, mas fundamentais, podem estar por trás dessas situações: resistência à insulina e sensibilidade à insulina. Conceitos diferentes, mas que afetam diretamente o controle glicêmico, e que, muitas vezes, não recebem a devida atenção fora do consultório médico.
Quando o corpo passa a resistir à insulina
A resistência à insulina ocorre quando o corpo não responde de forma adequada ao medicamento, seja ela produzida pelo próprio pâncreas ou aplicada com caneta ou seringa. Com isso, é necessário mais insulina para obter o mesmo efeito.
“É como se a insulina estivesse ali, pronta para colocar a glicose para dentro das células, mas o corpo não responde como deveria. Isso faz com que a glicose continue circulando no sangue, mesmo com a aplicação correta.”, explica a endocrinologista e pesquisadora em diabetes Dra. Denise Franco.
Embora mais comum em pessoas com diabetes tipo 2, a resistência também pode ocorrer em quem vive com o tipo 1, especialmente em situações como:
• ganho de peso
• uso de corticoides
• infecções ou inflamações
• estresse elevado
• noites mal dormidas
E quando a insulina age rápido demais?
Na outra ponta está a sensibilidade à insulina, quando o corpo responde com rapidez e intensidade à insulina aplicada. Nesse cenário, pequenas doses já são suficientes para baixar a glicose, o que pode causar episódios de hipoglicemia, caso o tratamento não seja ajustado.
“Pessoas que perderam peso, começaram a se exercitar ou mudaram a alimentação geralmente ficam mais sensíveis à insulina. O que antes era uma dose segura pode provocar uma queda rápida da glicemia.”, alerta a endocrinologista.
A sensibilidade à insulina costuma ser um sinal positivo, mas só quando está sob controle. Se a glicose cai demais e com frequência, a pessoa pode se sentir insegura e até reduzir as doses por conta própria, o que traz novos riscos.
A ciência já comprovou, o corpo muda, e a resposta à insulina também
Estudos mostram que tanto a resistência quanto a sensibilidade à insulina podem variar ao longo do tempo, ou até mesmo no mesmo dia.
Alimentação, temperatura, hormônios, nível de estresse, atividade física e até o sono influenciam diretamente na forma como o corpo reage à insulina.
“Essa resposta não é fixa. Por isso, o que funcionava na semana passada pode não funcionar hoje. O segredo está em observar os sinais e adaptar o tratamento com ajuda da equipe de saúde”, reforça a Dra. Denise Franco.
Sinais de alerta
O que pode indicar resistência à insulina:
• Glicemia alta persistente, mesmo com doses elevadas de insulina
• Redução do tempo no alvo
• Necessidade de reforçar correções com frequência
Sinais que podem indicar sensibilidade à insulina:
• Hipoglicemias frequentes com as mesmas doses de sempre
• Queda rápida da glicose logo após a aplicação
• Insegurança para aplicar a insulina, por medo de hipoglicemia
O que fazer se isso estiver acontecendo com você
A primeira atitude deve ser procurar orientação médica. Um endocrinologista ou educador em diabetes pode analisar os dados, revisar as doses e, se necessário, solicitar exames como o índice HOMA-IR, nos casos em que a pessoa ainda produz insulina, ou reavaliar a taxa de absorção da insulina no corpo.
Além disso, a Dra. Denise reforça a importância de observar os padrões com a ajuda da tecnologia:
“Sensores de glicose contínuos são ferramentas valiosas para entender como o corpo responde à insulina ao longo do dia. Isso permite ajustes mais precisos e seguros.”
Há como melhorar a resposta do corpo à insulina
Sim, tanto a resistência quanto a sensibilidade podem ser influenciadas, e melhoradas, por mudanças no estilo de vida:
• Praticar atividade física regularmente
• Manter uma alimentação com menor índice glicêmico
• Dormir bem e controlar o estresse
• Evitar o uso excessivo de insulina sem ajuste profissional
• Monitorar constantemente a glicemia e observar os sinais do corpo