Neste 27 de julho de 2025, a descoberta da insulina completa 104 anos. Foi em 1921 que os médicos canadenses Frederick Banting e Charles Best, com o apoio do professor John Macleod e do bioquímico James Collip, conseguiram isolar a insulina do pâncreas de cães e aplicá-la com sucesso em um ser humano com diabetes tipo 1. A descoberta rendeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1923 e representou o início de uma nova era no tratamento da condição, que até então era praticamente fatal para pessoas diagnosticadas ainda na infância ou adolescência.
Antes do medicamento, o único tratamento disponível era uma dieta extremamente restritiva, que muitas vezes levava à inanição. Por isso, a partir de 1922, com as primeiras aplicações em humanos, o cenário mudou. Pela primeira vez, pessoas com diabetes tipo 1 tinham uma chance real de viver.
Da seringa de vidro à insulina semanal
Ao longo das décadas, a insulina passou por grandes transformações. Inicialmente produzida a partir do pâncreas de porcos e bois, ela evoluiu nos anos 1980 com o uso da engenharia genética, que permitiu a produção de insulina humana em laboratório.
Contudo, na década de 1990, surgiram os análogos de insulina, com ação mais rápida ou prolongada, proporcionando mais flexibilidade e previsibilidade no controle da glicose. Mais recentemente, o avanço mais inovador foi a insulina de ação semanal, como a icodec, já aprovada nos Estados Unidos pela FDA e na Europa pela EMA, com expectativa de aprovação em outros países nos próximos anos.
Avanços que ainda não chegam para todos
Apesar dos avanços tecnológicos, o acesso à insulina ainda é um problema de saúde pública em muitos países. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), cerca de 50% das pessoas com diabetes no mundo não recebem tratamento adequado.
No Brasil, a insulina faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e é oferecida gratuitamente pelo SUS. No entanto, em muitas regiões, ainda há dificuldade na distribuição regular e falta de insumos básicos como seringas, agulhas e tiras de teste.
Outro desafio importante é o estigma e a desinformação sobre o uso da insulina, especialmente entre pessoas com diabetes tipo 2, que muitas vezes associam seu uso à falha no tratamento ou ao agravamento da doença.
Verdade ou mito: o que é preciso saber sobre a insulina
Insulina vicia?
Não. A insulina não causa dependência. Ela apenas substitui o que o corpo deixou de produzir, principalmente no diabetes tipo 1.
Só quem tem diabetes tipo 1 usa insulina?
Não. Muitas pessoas com diabetes tipo 2 também precisam usar insulina, principalmente em fases mais avançadas da doença.
Usar insulina significa que o tratamento fracassou?
Não. A insulina é uma ferramenta essencial e, principalmente, a melhor forma de alcançar o controle da glicose e evitar complicações.
Insulina faz mal para o rim ou para o coração?
Não. O que causa danos é o descontrole glicêmico prolongado. A insulina, ao manter a glicose nos níveis adequados, protege órgãos vitais.
Informação e insulina salvam vidas
Em mais de um século, a insulina deixou de ser uma inovação experimental para se tornar um tratamento de rotina que salva vidas todos os dias. Mesmo assim, falar sobre ela ainda é necessário para combater mitos, ampliar o acesso e garantir que nenhuma pessoa com diabetes fique sem o tratamento de que precisa.
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