Um novo sensor com potencial para medir a glicose no sangue, criado no Brasil, ganhou destaque internacional. Mateus Isaac de Oliveira Souza, doutorando da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu o trabalho e publicou no periódico IEEE Sensors, referência mundial na área de engenharia e sensores.
Segundo o autor, “nosso estudo propõe o uso de um novo sensor em micro-ondas, extremamente sensível, capaz de capturar variações de concentração de glicose a nível sanguíneo, com potencial para se tornar um dispositivo não-invasivo, no futuro”.
Como funciona o sensor de glicose?
No estudo, os autores utilizaram micro-ondas para detectar a glicose no sangue a partir de amostras de plasma artificial. Para isso, os pesquisadores desenvolveram essa substância em laboratório, justamente com o objetivo de simular as mesmas características do plasma humano. Além disso, os testes também compararam as medições no plasma com os resultados obtidos usando água destilada, que normalmente serve como fluido de referência para outros estudos na área.
Ao longo da pesquisa, os cientistas observaram diferenças significativas entre os dois líquidos. Enquanto a água destilada se mostrou limitada para reproduzir os efeitos da glicose no corpo humano, o plasma artificial demonstrou respostas mais próximas da realidade. Como resultado, a equipe propôs que futuros sensores utilizem esse novo fluido de referência.
“Essas constatações apontam novos rumos para projetos e testes de sensores em micro-ondas, uma vez que a substância sintetizada passa a ser o novo meio de referência para pesquisas futuras”, explicou Souza.
Resultados do estudo mais próximos da realidade
O plasma artificial foi caracterizado com base em testes eletromagnéticos. Por isso, os resultados mostraram diferenças expressivas em relação à água destilada, especialmente em frequência e amplitude dos sinais.
“Os resultados obtidos apontam para a adoção de uma nova referência de amostra a ser considerada – neste caso, o plasma sanguíneo artificial –, que se aproxima muito mais do comportamento real do plasma sanguíneo humano”, completou o pesquisador. Segundo ele, isso representa um avanço direto na forma como os sensores devem ser projetados e testados.
Medição não invasiva pode virar realidade
O trabalho se destacou por propor uma estrutura de sensor sensível a pequenas variações de glicose, com o uso de uma amostra mais parecida com o corpo humano. Além disso, o uso de micro-ondas aparece como uma aposta promissora no desenvolvimento de tecnologias sem necessidade de furar o dedo.
“A atual pesquisa é encarada como uma alternativa aos métodos tradicionais de aferição de glicose. Porém, ela ainda necessita que uma amostra de sangue seja coletada para aferição da medida”, explicou Souza. Ele afirma que já está trabalhando em outras estruturas que podem dispensar totalmente a coleta de sangue.
Segundo o autor, isso tornaria a medição não-invasiva, livre de dor e incômodos para pessoas que convivem com diabetes.
A equipe responsável pelo projeto inclui, além de Souza, os pesquisadores Laudemir Carlos Varanda, Júlio César Alarcon, Natália M. Santos e Vinicius M. Pepino, sob orientação do professor Ben-Hur Viana Borges.
LEIA MAIS
- Anvisa suspende lotes de medidor de glicose após falhas em testes; veja
- Lanche à noite para diabetes: veja como escolher bem e evitar picos de glicemia
- 4 dicas para manter seus rins saudáveis se você tem diabetes
