Manter o controle da glicose é essencial para evitar complicações graves no organismo. Mesmo quando a pessoa com diabetes não sente nenhum sintoma, a glicose alta pode causar danos silenciosos. Ao longo do tempo, esse excesso de açúcar no sangue afeta os vasos sanguíneos e compromete o funcionamento de vários órgãos do corpo, como rins, olhos e coração.
De acordo com o endocrinologista Fernando Valente, o problema se agrava porque muitas pessoas não sabem que estão com a glicose desregulada.
“O perigo é que às vezes a pessoa se acostuma com isso. Ela não tem sintomas muito evidentes de que a glicose está alta”, afirma o médico.
Glicose alta atinge o corpo todo
Quando o açúcar circula em excesso no sangue, as células que revestem os vasos sanguíneos sofrem danos. A glicose, em níveis elevados, provoca inflamação e desgaste desses vasos, dificultando a chegada de oxigênio e nutrientes aos órgãos. Com o tempo, esse processo compromete funções importantes do corpo.
“Você vai ter um dano no vaso sanguíneo, nas células do vaso sanguíneo, e todos os órgãos recebem essa quantidade a mais de açúcar. Eles podem sofrer”, explica Valente.
Ele ainda destaca que, se esse quadro se prolongar, as lesões se tornam permanentes e aumentam o risco de complicações como insuficiência renal, perda da visão e doenças cardiovasculares.
Diabetes tipo 2 pode passar despercebido
Entre as pessoas com diabetes tipo 2, a falta de sintomas evidentes dificulta o diagnóstico precoce. Fernando Valente ressalta que essa é uma das razões pelas quais o controle da glicose deve receber atenção desde cedo.
“É muito comum na pessoa com diabetes tipo 2. Tanto que quase metade das pessoas não sabem que têm diabetes. As que têm diabetes não sabem que têm diabetes”, afirma.
Esse desconhecimento impede que o tratamento comece no momento certo. Enquanto isso, o excesso de glicose segue circulando no organismo, provocando danos silenciosos que só aparecem anos depois. Por isso, é importante realizar exames de rotina, especialmente após os 40 anos ou se houver histórico familiar da doença.
Medo da hipoglicemia pode dificultar o controle
No caso das pessoas com diabetes tipo 1, o medo da hipoglicemia, que é a queda de açúcar no sangue, leva muitos a manter a glicose um pouco mais alta, principalmente durante a noite. Esse comportamento, apesar de oferecer uma sensação de segurança, pode trazer riscos a médio e longo prazo.
“Quando a pessoa está com diabetes tipo 1, às vezes por medo de hipoglicemia, ela deixa o açúcar um pouco mais elevado e assim ela se sente bem e mais segura. Só que isso, em médio para longo prazo, é problemático, porque isso pode ocasionar lesão nos rins”, alerta o especialista.
O que fazer para evitar a glicose alta
Para garantir que a glicose se mantenha dentro dos níveis adequados, o primeiro passo é adotar uma alimentação equilibrada, com acompanhamento profissional. Além disso, a prática regular de atividade física contribui para que o corpo utilize melhor a glicose disponível no sangue.
A medicação deve seguir a orientação médica, com os ajustes necessários conforme os resultados de exames e os hábitos de vida. Também é importante monitorar a glicose com frequência, especialmente em quem usa insulina, para identificar oscilações e agir com rapidez.
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